Economia

Dívida pública custa mais 500 mil milhões de dólares aos países em desenvolvimento

O elevado endividamento e os custos do serviço da dívida constituem um dos principais obstáculos ao crescimento inclusivo nas economias em desenvolvimento, alertou hoje, terça-feira, dia 13, o presidente do Grupo dos 24 (G24), que reúne países de mercados emergentes e em desenvolvimento.

À margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Banguecoque, na Tailândia, Taiwo Oyedele, ministro das Finanças e ministro coordenador da Economia da Nigéria, afirmou que as estimativas apontam para custos da dívida cerca de 500 mil milhões de dólares superiores nos países em desenvolvimento, em comparação com as economias desenvolvidas.

“O que temos observado entre os membros do G24, particularmente nos países em desenvolvimento, como os de África, é um aumento não apenas da dívida, mas também dos seus custos”, afirmou Oyedele, citado pela agência Reuters.

Os países em desenvolvimento fortemente endividados enfrentam uma pressão crescente, num contexto marcado pelas perturbações nas cadeias de abastecimento provocadas pela guerra em curso no Médio Oriente, pela subida dos preços dos alimentos, associada ao fenómeno climático super El Niño, e pelo aumento dos custos de financiamento. Segundo Oyedele, estes factores comprometem o progresso das economias emergentes e em desenvolvimento na transformação económica inclusiva e geradora de emprego.

G24 pede financiamento mais acessível

Perante este cenário, os membros do G24 apelaram ao FMI e ao Banco Mundial para disponibilizarem, a curto prazo, financiamento concessional mais acessível e a custos reduzidos aos países mais vulneráveis.

A iniciativa pretende aliviar as necessidades imediatas de financiamento, enquanto os governos procuram mobilizar capital privado e conter a despesa pública.

“A dívida limita o crescimento, porque os países deixam de dispor de recursos suficientes para financiar a expansão económica ou acabam por utilizar a maior parte das suas receitas no pagamento das obrigações financeiras”, afirmou Iyabo Masha, directora do secretariado do G24.

Ainda assim, Masha considerou que as recentes melhorias na arquitectura internacional de reestruturação da dívida soberana poderão permitir uma resolução mais rápida das crises de endividamento.

Como exemplo, apontou o Senegal, que estará próximo de alcançar uma solução definitiva com os credores. Segundo a Reuters, o país da África Ocidental pretendia chegar, até Dezembro, a um acordo de princípio com os credores oficiais e os detentores de obrigações, dois anos depois de terem sido identificadas dívidas não declaradas correctamente, estimadas por analistas em 13 mil milhões de dólares.

Inteligência artificial pode aumentar desigualdades

Além dos encargos da dívida, as economias em desenvolvimento enfrentam o risco de ficarem para trás na rápida adopção da inteligência artificial (IA).

O FMI reviu em baixa, na terça-feira, as previsões de crescimento para a América Latina e as Caraíbas, para este ano e o próximo, considerando que a maioria das economias da região beneficia pouco da expansão da IA, ao contrário de outras economias que têm conseguido absorver melhor o choque energético associado à guerra no Médio Oriente.

Para Iyabo Masha, a expansão desta tecnologia poderá agravar a desigualdade digital entre países.

As economias que ainda não atingiram determinados níveis de desenvolvimento terão de começar praticamente do zero e poderão beneficiar pouco da IA no curto prazo.

O acesso à electricidade é uma das condições fundamentais para inverter esta tendência, permitindo, por exemplo, atrair investimentos em centros de dados. Sem infra-estruturas energéticas adequadas, porém, a integração destas economias na nova dinâmica tecnológica poderá demorar mais tempo.

O alerta reforça os desafios enfrentados pelos países em desenvolvimento, particularmente em África, onde a necessidade de financiar o crescimento, assegurar a sustentabilidade da dívida e investir em infra-estruturas essenciais condiciona a capacidade de aproveitar as oportunidades da transformação digital.

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