Portugal considera Angola um parceiro estratégico incontornável e pretende aprofundar as relações bilaterais, com particular enfoque na cooperação económica, na formação de quadros e no desenvolvimento de sectores prioritários. A intenção foi reiterada ontem, segunda-feira, dia 12, em Luanda, pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação portuguesa, Ana Xavier, durante a sua primeira visita oficial ao país no exercício destas funções.
A governante afirmou que o objectivo é consolidar a parceria entre os dois países, tanto no plano bilateral como nos domínios regional e multilateral, através de um novo Programa Estratégico de Cooperação (PEC) que corresponda às ambições e prioridades de Angola e Portugal.
Segundo Ana Xavier, o programa actualmente em vigor, referente ao período 2023-2027, já superou as expectativas iniciais, tendo alcançado uma execução de 70 milhões de euros, aos quais se juntam 187 milhões de euros disponibilizados através de créditos.
Os resultados alcançados, salientou, reforçam a necessidade de preparar o próximo PEC, previsto para 2027-2031, com objectivos mais ambiciosos e uma maior articulação com as prioridades acordadas entre os dois Governos e os planos nacionais de desenvolvimento de Angola.
“São números que nos responsabilizam para assim olharmos para o próximo PEC 2027/2031 com uma ambição renovada, mas sobretudo (…) em alinhamento com as prioridades definidas em conjunto com Angola e com os planos nacionais de desenvolvimento angolanos”, declarou.
Ana Xavier destacou igualmente a dimensão da presença económica e humana portuguesa em Angola. De acordo com os dados apresentados, mais de 1.250 empresas portuguesas investem no país, contribuindo para o emprego, a formação e a actividade económica, enquanto mais de 3.700 empresas exportam para o mercado angolano.
A relação entre os dois países é também sustentada pelas respectivas comunidades: cerca de 130 mil portugueses vivem em Angola, enquanto Portugal acolhe mais de 90 mil cidadãos angolanos, segundo dados de 2025.
Para a governante, a parceria deve assentar no respeito mútuo e na confiança, evoluindo para um modelo de cooperação mais pragmático, ambicioso e orientado para resultados concretos.
A secretária de Estado fez-se acompanhar nesta deslocação pela presidente do Instituto Camões, Florbela Paraíba, tendo anunciado que uma missão técnica portuguesa já está preparada para se deslocar a Angola, com o propósito de avaliar a execução do programa em curso e preparar o próximo instrumento de cooperação.
Capital humano e educação entre as prioridades
O próximo ciclo de cooperação deverá abranger áreas como o desenvolvimento do capital humano, saúde, formação profissional, juventude, modernização administrativa, justiça, agricultura e cultura. Estas prioridades foram identificadas conjuntamente, tendo em conta os objectivos definidos pelo Governo angolano.
Durante o encontro, Ana Xavier agradeceu ainda o apoio de Angola à candidatura portuguesa a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, cuja eleição foi bem-sucedida e cujo mandato terá início em 2027.
Por seu turno, o secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas, Domingos Vieira Lopes, considerou positivo o ritmo das visitas de alto nível entre os dois países e defendeu uma aceleração da execução dos projectos previstos no PEC.
O responsável angolano propôs o reforço da coordenação entre as equipas técnicas dos dois Estados, de modo a identificar atempadamente eventuais obstáculos e assegurar que os resultados da cooperação produzam benefícios efectivos para as populações.
A educação foi apontada como uma das áreas prioritárias, com destaque para o contributo português através do programa Saber Mais, destinado a reforçar as competências dos professores angolanos.
Domingos Vieira Lopes manifestou também a disponibilidade de Angola para articular com o Ministério da Educação a inauguração conjunta do centro de recursos da Escola de Magistério Mutu Ya Kevela, financiado pelo Instituto Camões. O governante sublinhou, contudo, a importância de garantir a sustentabilidade do projecto.
Angola quer mais investimento e transferência de tecnologia
Para além da educação, Angola pretende ampliar as parcerias entre empresas dos dois países, com especial atenção à transferência de tecnologia e à capacitação dos recursos humanos.
A formação dos quadros da Administração Pública, o intercâmbio de experiências e boas práticas e a valorização da língua portuguesa através de iniciativas académicas e científicas figuram igualmente entre os domínios em que Luanda pretende aprofundar a colaboração com Lisboa.
No plano multilateral, Angola atribui particular importância à concertação com Portugal no âmbito das Nações Unidas, da União Europeia e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reforçando a coordenação entre os dois países em matérias de interesse comum.