Fintech nigeriana controlada pelo bilionário chinês Zhou Yahui facturou 467 milhões de dólares no primeiro semestre, já com o crédito como principal fonte de receita. Pode ser avaliada em cerca de 4 mil milhões de dólares.
A OPay, plataforma de pagamentos digitais sediada em Lagos e controlada pelo bilionário chinês Zhou Yahui, mais do que duplicou as receitas no primeiro semestre de 2026. Os números constam do pedido de admissão à Bolsa de Nova Iorque (NYSE) entregue na sexta-feira, 9 de Outubro, ao regulador norte-americano, a Securities and Exchange Commission (SEC).
Nos seis meses terminados a 30 de Junho, as receitas subiram 136,5%, de 197,5 para 467,1 milhões de dólares. O lucro líquido passou de 21,7 milhões para 90,9 milhões. O crédito ao consumo ultrapassou os pagamentos como principal fonte de receita, gerando 236,1 milhões de dólares, ou 50,6% do total.
A empresa pediu para negociar certificados de acções (ADS) sob o símbolo OPAY, mas ainda não divulgou o intervalo de preço, o número de títulos nem a data de estreia. Pelo calendário habitual destas operações, o preço poderá ser fixado em meados de Novembro. Notícias anteriores apontavam para uma avaliação de cerca de 4 mil milhões de dólares, o dobro dos 2 mil milhões da ronda de 400 milhões que a OPay levantou em 2021.
O sul-africano Standard Bank, através da Stanbic Africa Holdings, comprometeu-se a investir até 200 milhões de dólares numa colocação privada paralela à oferta pública. O SoftBank detém 6,6% do capital antes da operação.
De prejuízo a lucro em dois anos
A OPay está registada nas ilhas Caimão e tem sede em Singapura, mas o negócio é sobretudo nigeriano: a Nigéria gerou 89,5% das receitas do semestre. A empresa opera também na Indonésia, no Egipto e no Paquistão.
O crescimento foi rápido. As receitas passaram de 205,7 milhões de dólares em 2024 para 536,3 milhões em 2025, e a empresa passou de um prejuízo de 50,8 milhões para um lucro de 72,5 milhões. A 31 de Julho, a plataforma tinha 50,1 milhões de utilizadores mensais e 26,8 milhões diários. No primeiro semestre, o valor das transacções atingiu 339,1 mil milhões de dólares, contra 139,3 mil milhões um ano antes.
Lagos depois de Nova Iorque
A administração e os accionistas aprovaram uma segunda cotação na Bolsa da Nigéria (NGX), depois da estreia em Nova Iorque, o que permitirá aos investidores locais entrar no capital de uma empresa que vive sobretudo do mercado nigeriano. O prospecto avisa, no entanto, que as acções negociadas em Lagos poderão não ser convertíveis nos títulos cotados em Nova Iorque. Isso pode limitar a liquidez e levar os preços nas duas praças a divergir.
A OPay chega ao mercado num momento difícil para as ofertas públicas. A subida das taxas de juro e da rentabilidade das obrigações tem afastado investidores, e várias empresas adiaram as suas entradas em bolsa.
Poucas tecnológicas africanas se estrearam com sucesso nos EUA, entre elas a plataforma de comércio electrónico Jumia e a IHS, gestora de torres de telecomunicações, e ambas tiveram desempenhos irregulares. Se avançar, a OPay será a primeira fintech com uma base de clientes maioritariamente nigeriana a cotar-se em Nova Iorque.