A Etiópia inaugurou uma refinaria de metais preciosos com capacidade para processar mais de 600 toneladas por ano, numa iniciativa destinada a atrair produtores de ouro de vários países africanos e a reter no continente uma parcela maior do valor gerado pela transformação dos recursos minerais.
A nova Refinaria Nacional de Metais Preciosos foi inaugurada no último sábado, dia 10, pelo primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, na Zona Económica Especial de Bole Lemi, em Adis Abeba, a capital do país.
A unidade resulta de uma parceria entre a Ethiopian Investment Holdings e a Sam Precious Metals, empresa sediada no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que também desenvolve actividades no Egipto.
A infra-estrutura está preparada para analisar metais preciosos, refinar ouro até à obtenção de barras em condições de exportação e fabricar barras de ouro e prata, tanto fundidas como cunhadas. A capacidade anual anunciada, superior a 600 toneladas, abrange o conjunto dos metais preciosos e não apenas o ouro.
Segundo o gabinete do primeiro-ministro, o empreendimento deverá reforçar a transformação local, melhorar os mecanismos de controlo de qualidade e contribuir para posicionar a Etiópia como um centro regional de refinação e produção de metais preciosos.
Etiópia procura captar negócio do ouro africano
A estratégia do Governo etíope vai além do processamento do ouro extraído das minas nacionais. As autoridades pretendem que a refinaria preste serviços a países vizinhos e a empresas mineiras de diferentes regiões de África, incluindo a análise, a refinação e a certificação dos metais antes da sua comercialização nos mercados internacionais.
A concretização deste objectivo poderá proporcionar aos produtores africanos uma alternativa para o processamento do ouro dentro do próprio continente, reduzindo a necessidade de recorrer a instalações localizadas noutras regiões do mundo. Para a Etiópia, a prestação destes serviços poderá também representar uma nova fonte de receitas provenientes da produção mineira de outros países.
A extracção do ouro e a sua preparação para comercialização correspondem a etapas distintas da cadeia de valor. Enquanto a refinação permite remover impurezas, os testes determinam o teor do metal precioso, um elemento fundamental para estabelecer o seu valor comercial.
A nova unidade poderá igualmente apoiar as exportações de ouro em barras e a produção de artigos de ourivesaria, duas actividades destacadas pelas autoridades etíopes no anúncio do projecto.
No entanto, a inauguração não foi acompanhada pela identificação de clientes regionais nem pela divulgação dos volumes de metal que a refinaria já está a processar.
Parceria com empresa internacional
A Sam Precious Metals, parceira do projecto, disponibiliza serviços de refinação, cunhagem e análise de ouro e prata através das suas operações no Dubai e no Cairo, no Egipto.
A empresa já tinha identificado a instalação etíope como parte da sua estratégia de expansão para países produtores de metais preciosos. A sua participação permite associar o empreendimento a uma operadora com experiência no sector e relações comerciais internacionais.
Para a Etiópia, o principal desafio será agora garantir um fluxo regular de matérias-primas que permita aproveitar a capacidade instalada e convencer empresas mineiras e outros produtores africanos a recorrer aos serviços da refinaria em Adis Abeba.
A entrada em funcionamento da unidade cria, assim, condições para o país procurar uma posição mais relevante no comércio africano do ouro. Contudo, a dimensão efectiva dessa participação dependerá dos volumes processados, dos contratos comerciais estabelecidos e do reconhecimento internacional das certificações emitidas pela instalação.