Economia

Presidente do banco público português defende em Luanda que não se pode adiar o investimento à espera de certezas

Paulo Macedo diz que não vale a pena esperar que o mundo volte ao que era. Em Angola, vê oportunidades na diversificação da economia e na baixa taxa de bancarização

O presidente da comissão executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, defendeu esta quinta-feira, 8 de Outubro, em Luanda, que os investimentos devem continuar, porque não há regresso ao período anterior ao actual contexto internacional de incerteza.

A “extrema volatilidade e incertezas” da actualidade exigem “alguma ponderação adicional”, admitiu. Considerou, porém, que não vale a pena adiar investimentos à espera de “que o mundo volte ao que era há cinco anos”.

Paulo Macedo falava à imprensa no final do primeiro Encontro Fora da Caixa em Angola, promovido pelo Banco Caixa Geral Angola, onde apresentou o tema “Gestão, Crescimento e Mudança”.

O gestor sublinhou que as oportunidades existem em vários continentes, dos Estados Unidos à Europa e aos países emergentes. Segundo as projecções, acrescentou, os lucros das empresas serão este ano bastante superiores aos do ano passado, apesar de todas as adversidades.

Na sua intervenção, abordou os desafios das organizações num contexto de transformação acelerada, marcado pela inovação tecnológica, pela crescente complexidade dos mercados e pela necessidade de lideranças capazes de antecipar tendências.

Angola: diversificar e educar

Sobre Angola, Paulo Macedo disse que os objectivos do país são claros: menor dependência do petróleo, diversificação da economia e uma grande aposta na educação, decisiva num país com uma população muito jovem. O crescimento demográfico é benéfico, mas coloca desafios a curto prazo, na educação e nas condições de vida das crianças.

No sector bancário, vê uma oportunidade na taxa de bancarização, ainda muito baixa por força do reduzido rendimento disponível. Entre os desafios, apontou a inovação nos meios de pagamento e no crédito às pequenas e médias empresas. Destacou ainda a necessidade de mais investimento em cibersegurança, área em que a banca gasta hoje valores sem paralelo com o passado.

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