Economia

Petróleo mantém-se acima dos 100 dólares com conflitos regionais a fundirem-se

O aumento das exportações do Golfo não chega para acalmar os mercados. Os ataques iranianos em Ormuz, a guerra no Iémen e o envolvimento dos países do Golfo no Sudão e na Etiópia ameaçam as principais rotas energéticas.

Os preços do petróleo mantiveram-se acima dos 100 dólares por barril, com as notícias sobre o aumento da oferta do Golfo a serem ofuscadas por sinais de que os conflitos regionais se estão a fundir, ampliando os riscos para as principais rotas de abastecimento de energia.

O Brent, que tinha descido na Terça-feira, voltou a subir e ultrapassou de novo os 100 dólares, depois de notícias de novos ataques dos houthis contra infraestruturas energéticas sauditas. Segundo o OilPrice.com, o Brent negociava nos 101,40 dólares, a subir 0,8%, e o WTI norte-americano nos 90,07 dólares.

Segundo os analistas, os ataques iranianos contra navios que atravessam o Estreito de Ormuz estão a aumentar. No Iémen, as forças apoiadas pela Arábia Saudita reconquistaram território aos houthis, apoiados pelo Irão, desde o início da ofensiva lançada no Domingo, 4 de Outubro. Ainda assim, o grupo continua capaz de atacar instalações sauditas e de ameaçar os navios que passam pelo Estreito de Bab el-Mandeb.

As autoridades sauditas de transporte aéreo confirmaram ataques a dois aeroportos, um dos quais em Jazan, onde se situa uma refinaria da Aramco com capacidade para 400 mil barris por dia. Riade desmentiu, no entanto, as notícias de um novo encerramento do oleoduto Leste-Oeste na sequência dos ataques.

Para os analistas, o potencial de subida dos preços vai manter-se enquanto os combates continuarem, independentemente dos volumes exportados, porque os operadores estão agora mais atentos à logística de fazer sair o crude do Golfo Pérsico. Os custos de transporte são um sinal disso: o aluguer de superpetroleiros ultrapassa um milhão de dólares por dia, e o aumento está a alastrar a navios mais pequenos, segundo June Goh, analista sénior da Sparta Commodities.

Do Golfo ao Corno de África

A instabilidade não se fica pelo Médio Oriente. O alegado envolvimento dos países do Golfo nos conflitos do Sudão e da Etiópia significa que a instabilidade vai “continuar a ricochetear nos dois sentidos”, escreveu um especialista do InternationalCrisis Group na Foreign Affairs. O mesmo especialista avisa que a sobreposição de conflitos e disputas vai torná-los cada vez mais difíceis de resolver.

O cenário mantém os preços pressionados, apesar das medidas para aliviar o mercado. A Aramcoalertou na Segunda-feira para o nível “perigosamente baixo” dos stocks mundiais, poucos dias depois de o G7 ter acordado a libertação de 100 milhões de barris das reservas estratégicas. Segundo Mukesh Sahdev, responsável pela análise do mercado petrolífero da X Analytics, os preços vão manter-se perto dos 100 dólares por barril se não houver uma desescaladasignificativa.

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