A primeira edição da Agritech Show Luanda 2026, realizada entre 1 e 4 de Outubro, na Fazenda da Quiminha, município do Cabiri, província do Icolo e Bengo, colocou em evidência a necessidade de reforçar as ligações entre a produção agrícola e a indústria de transformação em Angola.
O evento reuniu mais de 60 expositores e cerca de 5.000 profissionais, entre produtores, empresas, investidores e outros intervenientes da cadeia de valor do agronegócio, num momento em que o aumento da produção nacional e a redução da dependência das importações continuam entre os principais desafios do sector.
Entre as empresas presentes esteve o Grupo Naval, que apresentou na feira a sua actividade enquanto comprador de matérias-primas agrícolas destinadas à transformação industrial. A empresa indicou que procura estabelecer relações de fornecimento com produtores comerciais, cooperativas e agricultores familiares, incluindo através de contratos de médio e longo prazo.
A procura abrange produtos como trigo, milho, arroz, soja e óleos brutos de palma. O trigo é destinado à moagem e à produção de farinha e massas alimentícias, enquanto o milho tem como destino a indústria alimentar e a produção de rações. O arroz é encaminhado para operações de descasque, processamento e distribuição, ao passo que a soja é utilizada na produção de proteína para alimentação animal e de óleo bruto. Os óleos brutos de palma destinam-se à refinação na Refitec.
A presença do Grupo Naval na Agritech Show permitiu, assim, colocar em discussão uma das questões centrais para o desenvolvimento da agricultura comercial em Angola: a existência de mercados capazes de absorver a produção e de a encaminhar para unidades de transformação.
“Para além de um comprador, o produtor precisa de um parceiro que lhe garanta mercado. É esse o nosso compromisso: transformar a produção nacional nas nossas fábricas, reduzir importações e contribuir para uma cadeia de valor mais sustentável em Angola”, afirmou Hélder Caetano, administrador do Grupo Naval.
A aproximação entre produtores e indústria é particularmente relevante numa cadeia em que a capacidade de escoamento e de transformação pode determinar a viabilidade de novos investimentos agrícolas. A existência de compradores nacionais para diferentes tipos de matérias-primas poderá também contribuir para reduzir os custos associados à colocação da produção no mercado e aumentar a incorporação de matéria-prima nacional na indústria.
A Agritech Show Luanda 2026 constituiu, neste sentido, um espaço de contacto entre diferentes elos da cadeia agrícola, permitindo a produtores e empresas identificarem oportunidades de fornecimento, investimento e cooperação.
Com actividade em diferentes sectores da economia angolana, o Grupo Naval desenvolve projectos ligados ao aumento da capacidade produtiva e à criação de valor no mercado nacional. A sua participação no certame enquadra-se na aposta na ligação entre a produção agrícola e a transformação industrial, numa perspectiva de maior aproveitamento interno das matérias-primas e de desenvolvimento das cadeias de valor do agronegócio.