O presidente da petrolífera saudita avisa que menos de 10% das reservas mundiais estão realmente disponíveis e que a libertação anunciada pelo G7 não resolve o desequilíbrio entre oferta e procura.
A petrolífera saudita Aramco alertou esta segunda-feira, 5 de Outubro, para o nível “perigosamente baixo” dos stocks de petróleo, poucos dias depois de os países do G7 terem anunciado a libertação de reservas para aliviar as preocupações com o abastecimento.
“O sistema já está sob pressão […] e como existem poucas soluções às quais o mundo pode recorrer, a rede de segurança contra interrupções de fornecimento é perigosamente baixa”, afirmou o presidente da Aramco, Amin Nasser, no EnergyIntelligence Forum, em Londres.
O líder da maior produtora de petróleo do mundo pediu que não se olhe para os números brutos das reservas, porque menos de 10% estão realmente disponíveis. Uma parte significativa é necessária para manter as infraestruturas em funcionamento.
Para Nasser, isso explica a dificuldade do G7 em reunir os 100 milhões de barris anunciados na sexta-feira através da Agência Internacional de Energia (AIE), que reúne 32 países, incluindo os membros do G7. As reservas estratégicas poderão ajudar a passar um inverno, mas não resolvem de forma duradoura o problema do abastecimento. O desequilíbrio entre a oferta e a procura vai manter-se.
Os números mostram a dimensão do esforço já feito. No sábado, a AIE indicou que, até essa data, tinham sido libertados cerca de 325 milhões de barris das reservas estratégicas. Em março, o G7 tinha prometido libertar 400 milhões de barris.
Reconstruir as reservas pode levar dois anos
O aviso de Nasser vai além do curto prazo. O presidente da Aramco alertou que os mercados ficam vulneráveis a uma deterioração maior se o Estreito de Ormuz não for reaberto, e que reconstituir os stocks pode levar até dois anos, mesmo depois da reabertura.
Nasser defendeu também o papel do oleoduto Leste-Oeste, que liga a costa do Golfo ao Mar Vermelho, contornando Ormuz. Sem ele, o Brent poderia ter chegado aos 200 dólares por barril.
Apesar do alerta, Nasser quis deixar uma mensagem tranquilizadora sobre a capacidade de resposta da Aramco, que diz estar em condições de satisfazer todas as necessidades dos seus clientes. A empresa consegue pôr em funcionamento a sua capacidade máxima sustentável de produção, de 12 milhões de barris por dia, em poucos dias.
As garantias contrastam com as notícias de Setembro, quando a Bloomberg noticiou que alguns clientes europeus corriam o risco de não receber petróleo saudita ao abrigo de contratos de longo prazo.
O alerta surge numa altura de forte tensão nos mercados. O Irão mantém o Estreito de Ormuz fechado, o governo do Iémen lançou no domingo uma ofensiva contra os houthis, que controlam zonas junto ao Estreito de Bab el-Mandeb, e o Brent continua a negociar perto dos 100 dólares por barril.