O governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, lançou uma campanha militar para recuperar os territórios dos houthis, enquanto o Irão insiste que o Estreito de Ormuz continua fechado. A OPEP+ manteve as metas de produção para Novembro.
As forças do governo do Iémen, apoiado pela Arábia Saudita, lançaram no Domingo uma grande campanha militar contra os rebeldes houthis, alinhados com o Irão, acrescentando novos riscos aos mercados petrolíferos. No mesmo dia, Teerão reiterou que o Estreito de Ormuz continua fechado.
O governo iemenita, reconhecido internacionalmente, anunciou uma ofensiva à escala nacional para reconquistar todas as zonas controladas pelos houthis. Numa mensagem televisiva, o Presidente Rashad al-Alimi garantiu que as forças governamentais vão prosseguir a ofensiva até o país estar “libertado”. Segundo al-Alimi, a acção militar foi aprovada depois de esgotados os esforços para desanuviar o conflito. A campanha envolve cerca de 100 mil soldados e pretende retomar território estratégico, incluindo o Estreito de Bab el-Mandeb.
A ofensiva surge numa altura em que os houthis parecem estar a ganhar terreno. No mês passado, o grupo surpreendeu as forças pró-sauditas com uma ofensiva terrestre que lhe deu o controlo de vastas zonas do sudoeste do Iémen, incluindo territórios com vista sobre Bab el-Mandeb. Os combates intensificaram-se também em torno de Taiz, onde os houthis lançaram ataques coordenados numa frente de cerca de 15 quilómetros.
O conflito estendeu-se à Arábia Saudita. Os houthis afirmaram ter disparado mísseis balísticos e drones contra instalações da Saudi Aramco em Riade e na zona de Khurais, em resposta a 50 ataques aéreos e de mísseis da coligação liderada pelos sauditas no Iémen.
O receio dos mercados é que o controlo houthi sobre Bab el-Mandeb reduza ainda mais os fluxos de petróleo do Médio Oriente, já afectados pelo encerramento efectivo de Ormuz pelo Irão. Antes do conflito, passava por Ormuz cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transaccionados no mundo.
Do lado iraniano, não há sinais de abertura. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o estreito não reabrirá enquanto não forem cumpridas as sete condições de Teerão, associadas ao chamado Memorando de Islamabad.
OPEP+ mantém metas para Novembro
Neste contexto, a OPEP+ decidiu no Domingo manter as metas de produção para Novembro, prolongando a pausa iniciada em Outubro, depois de seis meses de aumentos graduais. Os sete principais membros (Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Omã, Argélia, Rússia e Cazaquistão) vão manter a quota conjunta de 31 milhões de barris por dia.
Na prática, porém, a maioria dos membros produz abaixo das quotas por causa da guerra. As exportações dos produtores do Golfo têm estado entre 60% e 80% abaixo do normal nos últimos meses, e em Agosto os principais membros produziram 25 milhões de barris por dia, cerca de 5 milhões abaixo dos níveis anteriores à guerra. As reservas mundiais caíram fortemente com as perturbações nas exportações.
Mesmo com o aumento recente dos fluxos de crude do Médio Oriente, o petróleo continua perto dos 100 dólares por barril. Na manhã desta Segunda-feira, o Brent descia 0,65%, para 101,59 dólares, e o WTI norte-americano estava nos 90,12 dólares. Os preços recuaram ligeiramente com o aumento das exportações da região e a libertação de reservas acordada pelo G7, que compensaram as preocupações com novos danos às infra-estruturas petrolíferas do Golfo. Entretanto, a Aramco cortou inesperadamente os preços do crude para a Ásia em Novembro, para mínimos de seis anos.
Segundo analistas, o mercado continua a reflectir a incerteza sobre a fiabilidade das exportações. “A recuperação do volume da oferta não equivale a uma normalização total do sistema de abastecimento”, afirmou um analista à Bloomberg.