O sector continua a crescer, mas a poupança para a reforma está concentrada nos trabalhadores das grandes empresas: os fundos fechados detêm quase 97% do património e há menos de 70 mil participantes.
Os activos sob gestão das sociedades gestoras de fundos de pensões em Angola atingiram 1,33 biliões de kwanzas (cerca de 1,2 mil milhões de euros) no primeiro semestre deste ano. Os números foram avançados pelo administrador executivo da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), Aldemiro Gonçalves, na terceira edição da conferência “Fundo de Pensões: Como Massificar a Poupança para a Reforma?”, promovida pela revista Economia & Mercado.
No final de 2025, os activos rondavam os 1,25 biliões de kwanzas (1,1 mil milhões de euros), mais 12% do que em 2024. Isto significa que, só nos primeiros seis meses deste ano, o património gerido pelo sector cresceu cerca de 6%.
O número de fundos também está a aumentar. Existem actualmente 46 fundos de pensões, 35 fechados e 11 abertos, e o regulador prevê que o total ultrapasse os 50 até ao final do ano, com pelo menos cinco novos processos concluídos e apenas à espera de publicação em Diário da República. No início do ano, segundo os indicadores trimestrais da ARSEG, o número de fundos tinha passado de 41 para 46.
Apesar do crescimento, o retrato do sector revela uma forte concentração. Os 35 fundos fechados, ligados a um único empregador, empresa ou grupo profissional, concentram cerca de 96,63% de todo o património, contra apenas 3,37% dos fundos abertos, que estão acessíveis a qualquer pessoa.
Para Aldemiro Gonçalves, os números mostram que, em Angola, a poupança para a reforma “continua a ser sobretudo um privilégio” de quem trabalha nas grandes empresas, nas multinacionais e em algumas instituições do sector público. A concentração também se nota na gestão: apenas três entidades gestoras reúnem 69% de todos os participantes do mercado.
No final do ano passado, o mercado tinha 68.423 participantes, mais 4% do que em 2024, um universo que o responsável da ARSEG considerou residual quando comparado com a população activa angolana.
Para alargar o acesso, o administrador do regulador defendeu um investimento substancial na literacia financeira, envolvendo todos os actores do sector. Apontou também margem para inovar nos produtos, lembrando que há várias classes profissionais fora do mercado dos fundos de pensões, como advogados, médicos, arquitectos e outras profissões liberais organizadas.
Foto: Administrador Executivo da ARSEG- Aldemiro Gonçalves