Mercados Financeiros

Airtel Money fixa avaliação em 7 mil milhões de dólares para entrada na bolsa de Londres

O braço de pagamentos móveis da Airtel Africa estreia-se a 14 de Outubro, numa das maiores entradas em bolsa em Londres nos últimos anos, mas com uma avaliação abaixo do esperado. O presidente executivo aposta nos pagamentos digitais para crescer.

A Airtel Money fixou o preço da sua oferta pública inicial (IPO) em 1,96 libras por acção, o que avalia o negócio em cerca de 7 mil milhões de dólares, antes da estreia na Bolsa de Londres, prevista para 14 de Outubro. A avaliação fica abaixo dos 8 a 9 mil milhões de dólares avançados quando a operação foi anunciada, e a maior parte das receitas da venda irá para os acionistas existentes, e não para a empresa.

Em Setembro, esperava-se que a Airtel Money angariasse cerca de 800 milhões de dólares. A empresa prevê agora vender 270 milhões de ações já existentes, num total de 529,2 milhões de libras (cerca de 698,5 milhões de dólares), a que se poderão somar mais 27 milhões de ações através de uma opção de sobrealocação.

Mesmo assim, a operação deverá ser a maior entrada em bolsa em Londres desde a dupla cotação da Fermi, em Setembro de 2025, segundo dados da Dealogic citados pela Reuters.

Pagamentos em vez de levantamentos

O braço de dinheiro móvel do grupo de telecomunicações Airtel Africa opera em 13 países africanos e é o terceiro maior operador de dinheiro móvel de África em valor de transações. Antes da fixação do preço, o presidente executivo, Ian Ferrao, explicou que as receitas da empresa estão a mudar de composição: os depósitos e levantamentos em numerário perderam peso, e os clientes usam cada vez mais o serviço para pagar contas, comprar bens, transferir dinheiro e contrair microcréditos.

“Demos uma atenção enorme ao negócio de pagamentos e transferências, porque são receitas de maior qualidade, com melhores margens”, afirmou Ferrao.

Em Junho de 2026, a Airtel Money tinha 56,5 milhões de clientes, transacções anualizadas de 245 mil milhões de dólares e receitas trimestrais de 404 milhões de dólares.

IFC como investidor de referência

A Airtel Africa, que está cotada em Londres e em Lagos, só venderá acções através da opção de sobrealocação e manter-se-á como accionista estratégica de longo prazo. A Sociedade Financeira Internacional (IFC), o braço do Banco Mundial para o sector privado, comprometeu-se a comprar até 90 milhões de dólares em acções como investidor de referência. Depois da entrada em bolsa, cerca de 16,5% do capital ficará disperso em bolsa, percentagem que pode subir para cerca de 17,5% se a opção de sobrealocação for totalmente exercida.

Um percurso adiado

A Airtel Money tinha inicialmente previsto entrar em bolsa no primeiro semestre de 2026, mas adiou a operação, invocando condições de mercado desfavoráveis devido à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão. A Airtel Africa chegou a ponderar uma cotação no Médio Oriente, mas acabou por escolher Londres, em parte devido à instabilidade na região. O valor a angariar ficou também muito abaixo dos 2 mil milhões de dólares que chegaram a ser noticiados.

Para a Bolsa de Londres, a operação é uma boa notícia, depois de um período difícil em que várias empresas, incluindo fintechs, optaram por Nova Iorque. O presidente executivo da Airtel Africa, SunilTaldar, justificou a escolha de Londres com a base de investidores em mercados emergentes e o conhecimento da praça sobre fintech e pagamentos.

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