Os Estados Unidos vão financiar com 3 milhões de dólares o estudo de viabilidade para um projecto de expansão da capacidade hidroeléctrica e das redes de distribuição de electricidade na República Democrática do Congo (RDC) e na Zâmbia, numa iniciativa que poderá mobilizar cerca de 300 milhões de dólares em investimento para electrificar a região do Corredor do Lobito.
A Agência dos Estados Unidos para o Comércio e Desenvolvimento (USTDA) assinou um acordo com a Anzana Electric Group para financiar os estudos preparatórios do projecto, que abrange a província do Lualaba, na República Democrática do Congo (RDC), e as províncias Copperbelt e North-Western, na Zâmbia.
A iniciativa procura resolver uma das principais limitações ao crescimento da actividade mineira na região: a insuficiência e a irregularidade do fornecimento de electricidade. O reforço da rede deverá beneficiar operações de extracção de cobre e cobalto e mais de três milhões de pessoas.
Investimento de 300 milhões de dólares
O estudo financiado pela USTDA constitui a fase preparatória de um programa de maior dimensão. Na Zâmbia, a Anzana e a empresa pública ZESCO estabeleceram os termos para uma parceria destinada a mobilizar aproximadamente 300 milhões de dólares em capital comercial e concessional para a expansão da rede eléctrica, com o objectivo de ligar cerca de dois milhões de pessoas até 2030.
A intervenção prevê a reabilitação de activos hidroeléctricos existentes, o desenvolvimento de nova capacidade de produção e a expansão das redes de distribuição.
No âmbito do estudo, serão igualmente identificados fornecedores norte-americanos de equipamentos e serviços de engenharia, ao mesmo tempo que será estruturado um modelo financeiro destinado a atrair investimento privado. A USTDA indica que os projectos por si financiados são executados por empresas norte-americanas.
A componente financeira é particularmente relevante porque a intenção não se limita à realização de estudos técnicos. A estruturação do projecto pretende criar condições para a entrada de capital privado na construção e exploração das infraestruturas energéticas.
Electricidade como factor de competitividade mineira
A escassez de energia representa um constrangimento para a expansão da produção mineira na RDC e na Zâmbia. A elevada procura das operações mineiras limita o fornecimento disponível para famílias e empresas locais, enquanto algumas minas recorrem a geradores a gasóleo quando a rede não consegue assegurar a procura.
A expansão da produção hidroeléctrica e das redes de distribuição poderá, por isso, reduzir os custos associados ao recurso a geradores e melhorar a previsibilidade do fornecimento energético às empresas.
Para a USTDA, o acesso a electricidade fiável é igualmente importante para aumentar a transformação local dos minerais, apoiar a actividade industrial e criar condições para uma maior geração de valor nas economias dos países atravessados pelo Corredor do Lobito.
Energia complementa investimento ferroviário
O novo projecto acrescenta uma componente energética à estratégia de desenvolvimento do Corredor do Lobito, cuja infraestrutura ferroviária liga as zonas produtoras de minerais da RDC ao porto do Lobito, em Angola.
A ligação ferroviária de 1.300 quilómetros, entre o porto angolano e a fronteira da RDC, recebeu um financiamento de 553 milhões de dólares da U.S. International Development Finance Corporation (DFC) e 200 milhões de dólares do Development Bank of Southern Africa, num projecto cujo fecho financeiro foi alcançado em Julho de 2026.
A expansão da infraestrutura ferroviária para a Zâmbia constitui outra frente de desenvolvimento do corredor, estando prevista a mobilização de financiamento para novas linhas destinadas a aproximar as regiões mineiras do acesso ao Atlântico. A Africa Finance Corporation tem como meta alcançar o fecho financeiro desse projecto no quarto trimestre de 2027, com conclusão prevista para 2030.
Cobre e cobalto no centro da estratégia
A aposta norte-americana insere-se numa estratégia mais ampla de diversificação das cadeias de fornecimento de minerais críticos. O Corredor do Lobito permite criar uma rota de exportação para cobre, cobalto e outros minerais através do Atlântico, reduzindo os constrangimentos logísticos associados ao transporte desde o centro do continente.
A nova componente energética procura atacar outro ponto da mesma cadeia económica: não basta construir capacidade para transportar os minerais; é necessário assegurar energia suficiente para os extrair, processar e acrescentar valor antes do transporte.
A USTDA afirma que o apoio à Anzana complementa outros projectos no Corredor do Lobito relacionados com produção de energia, conectividade digital, modernização portuária e extracção e processamento de minerais críticos.
Com a entrada de energia na equação do Corredor do Lobito, a estratégia passa a abranger não apenas a logística de exportação, mas também as infraestruturas necessárias para sustentar a produção mineira e a actividade económica nas regiões produtoras.