Se aceitar, será a primeira vez que o Presidente russo participa presencialmente numa cimeira do G20 desde a invasão da Ucrânia
A Administração Trump convidou formalmente Vladimir Putin para a cimeira do G20 que se realiza em Dezembro, em Miami, na Florida. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, numa conferência de imprensa à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
“Convidámos o Presidente Putin para o G20”, confirmou Rubio. O chefe da diplomacia norte-americana acrescentou que o encontro será uma oportunidade para o líder russo dialogar não só com Trump, mas também com outros líderes mundiais, e que Washington espera que o convite seja aceite. As declarações surgiram pouco depois de uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, num hotel de Nova Iorque, esta quarta-feira.
A resposta de Moscovo chegou horas depois. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, citado pelas agências russas, disse que a Rússia está grata pelo convite e que tomará uma decisão pelos canais diplomáticos.
A cimeira decorre a 14 e 15 de Dezembro no Trump National Doral Miami, o resort de golfe do Presidente norte-americano. Trump já tinha lançado a ideia em Abril, quando disse aos jornalistas que seria muito útil Putin estar presente, embora duvidasse então de que o líder russo aceitasse.
Putin não participa presencialmente numa cimeira do G20 desde 2019 e tem optado por intervir por videoconferência, devido ao mandado de captura emitido contra si pelo Tribunal Penal Internacional. Como os Estados Unidos não são membros do TPI, não estão obrigados a detê-lo caso entre em território norte-americano. Se aceitar, será também a sua primeira visita aos 48 estados contíguos desde 2015. Os dois presidentes encontraram-se no Alasca em Agosto do ano passado, no âmbito das negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia.
O convite surge num momento em que Washington tenta, sem sucesso, fechar um acordo para terminar a guerra, com Trump a insistir que trabalha com as duas partes. Depois de se reunir com Trump na terça-feira, Volodymyr Zelensky afirmou que Washington e Kiev querem ver o conflito terminado antes do inverno.
O Presidente ucraniano já se tinha mostrado disponível para se sentar à mesa com Putin em Miami. Em entrevista à Deutsche Welle, Zelensky disse estar disposto a encontrar-se com o homólogo russo na cimeira, mas o Kremlin classificou essa hipótese como impossível e Lavrov insistiu que qualquer encontro terá de ser em Moscovo.
A presença russa em eventos do G20 nos Estados Unidos já gerou desconforto este ano. A Administração Trump abriu uma exceção para que o ministro das Finanças russo, Anton Siluanov, alvo de sanções, participasse na reunião ministerial das Finanças em Asheville, na Carolina do Norte. Os aliados da Ucrânia no grupo contestaram a sua presença e conseguiram que fosse excluído da fotografia de família.