A Airtel Money, braço de serviços de dinheiro móvel da operadora africana Airtel Africa, pretende avançar com a sua oferta pública inicial (IPO) na Bolsa de Londres, anunciou hoje,quarta-feira, dia 23, a agência Reuters, uma operação que poderá marcar uma mudança num mercado que tem enfrentado um período prolongado de menor actividade em novas entradas em bolsa.
A empresa tinha inicialmente previsto concretizar a operação no primeiro semestre de 2026, mas adiou-a para a segunda metade do ano, justificando a decisão com as condições desfavoráveis dos mercados, associadas à guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão.
Segundo o jornal ‘Financial Times’, a Airtel Money estará a apontar para uma avaliação entre 8 e 9 mil milhões de dólares na operação e pretende captar pelo menos 800 milhões de dólares junto dos investidores.
A entrada em bolsa será realizada através de uma oferta secundária de acções já existentes. Após a operação, a Airtel Money deverá apresentar uma percentagem de capital disperso (free float) de pelo menos 10%.
A empresa informou que divulgará, no início de Outubro, informações adicionais sobre a operação, incluindo o intervalo indicativo de preços e o número de acções a disponibilizar. A fixação do preço final está prevista para meados de Outubro.
“Uma cotação em Londres dará apoio à nossa próxima vaga de crescimento”, afirmou o presidente executivo da Airtel Money, Ian Ferrao, citado num comunicado.
O responsável acrescentou que a empresa pretende tirar partido da extensa base de subscritores da Airtel Africa, disponibilizando aos clientes dos serviços de telecomunicações soluções de pagamentos e outros produtos financeiros.
A Airtel Africa detém actualmente cerca de 78% da Airtel Money, enquanto participações minoritárias pertencem à TPG, Mastercard, Qatar Investment Authority e Chimetech Holding. A Airtel Money indicou que a Airtel Africa continuará a ser um investidor de longo prazo após a entrada em bolsa.
No trimestre mais recente, terminado em 30 de Junho, as receitas da Airtel Money aumentaram 38%, para 531 milhões de dólares, enquanto o número de utilizadores activos mensais rondou os 53 milhões.
Para o exercício que termina em Março de 2027, a empresa prevê um crescimento das receitas, a taxas de câmbio constantes, na ordem dos 20 e poucos por cento, esperando uma aceleração do ritmo de crescimento posteriormente.