Mário Palhares foi nomeado pelo Presidente da República, João Lourenço, para o cargo de presidente do Comité de Remunerações do Banco Nacional de Angola (BNA), numa decisão formalizada por Decreto Presidencial, de 10 de Setembro. A nomeação marca o regresso do veterano banqueiro ao universo institucional do banco central, onde iniciou, há mais de três décadas, uma parte importante da sua carreira.
O Comité de Remunerações do BNA é um órgão independente previsto na Lei do BNA (Lei n.º 24/21), criado com o objectivo de reforçar a transparência e a sustentabilidade institucional do banco central. Compete-lhe aprovar e acompanhar a aplicação do estatuto remuneratório dos órgãos sociais da instituição.
O Comité é composto por três membros. Integra um representante indicado pelo Titular do Poder Executivo, que exerce a função de presidente — cargo agora atribuído a Mário Palhares —, um ex-governador do BNA indicado pelo Conselho de Administração, e um terceiro membro de reconhecida idoneidade, independência e experiência nas matérias relacionadas com as atribuições do Banco Central, escolhido pelos dois primeiros membros.
Durante a cerimónia de posse, orientada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, e que contou com a presença de membros do Conselho de Administração do BNA, Mário Palhares prestou juramento de fidelidade à Pátria e comprometeu-se a defender os princípios fundamentais da ordem constitucional, respeitar e fazer respeitar as leis e desempenhar as suas funções com zelo e dedicação. O termo de posse inclui igualmente o compromisso de combater práticas de corrupção e nepotismo, bem como de se abster de actos susceptíveis de lesar o interesse público, sob pena de responsabilização nos termos da lei.
Na ocasião, o novo presidente do Comité de Remunerações comprometeu-se a exercer as suas funções com transparência, sentido de responsabilidade e foco na obtenção de resultados positivos para a instituição. “Acabei de ser nomeado presidente do Comité de Remunerações, depois de 30 anos de ter saído desta casa, e gostaria de agradecer pela confiança depositada em mim”, afirmou Palhares, garantindo empenho total no exercício efectivo do cargo. José de Lima Massano, por seu turno, desejou êxitos ao novo responsável e considerou que a sua nomeação poderá contribuir para o reforço da capacidade institucional do Banco Nacional de Angola.
Quem é Mário Palhares
De nome completo Mário Abílio Pinheiro Rodrigues Moreira Palhares, o gestor tem 77 anos e um extenso historial de serviço no sector financeiro angolano, com início ainda no antigo Banco de Angola, sob administração do regime colonial português, e prosseguimento no Banco Nacional de Angola após a proclamação da independência.
Ao longo da carreira na instituição reguladora e monetária, Palhares passou por diversos departamentos até chegar à posição de vice-governador, um ano antes do advento do multipartidarismo, em Dezembro de 1991. Foi enquanto administrador e vice-governador do BNA, entre 1991 e 1997, que consolidou o percurso que o tornaria uma das figuras mais influentes da banca angolana.
Mário Palhares deixou também a sua marca na reforma do sistema financeiro nacional, ao participar na criação do Banco de Comércio e Indústria (BCI), em 1991 — ano em que Angola introduziu um novo modelo de funcionamento bancário, do qual nasceram igualmente o Banco de Poupança e Crédito (BPC), enquanto o BNA assumia as funções de banco central que mantém actualmente.
Depois deste contributo para a consolidação da banca pública, Palhares orientou a carreira para o sector privado, participando activamente na fundação do Banco Angolano de Investimentos (BAI), onde desempenhou os cargos de presidente da Comissão Executiva (CEO) e presidente do Conselho de Administração (Chairman) do BAI Europa. A sua permanência no BAI — o maior banco do sistema financeiro angolano — prolongou-se até 2006, ano em que saiu para fundar o Banco de Negócios Internacional (BNI), instituição da qual foi membro do Conselho de Administração e presidente da Comissão Executiva.
Em 2014, o BNI expandiu-se para o mercado português, com a inauguração, em Junho, da primeira agência em Lisboa do BNI Europa — instituição que tem actualmente como accionista único o BNI Angola, cujo beneficiário efectivo era o próprio Mário Palhares. A partir de 2019, o gestor viu-se envolvido em sucessivas tentativas de encontrar comprador para o BNI Europa, na sequência de alterações regulatórias na indústria bancária europeia.
Em Angola, Palhares conduziu uma das transacções mais bem-sucedidas para a estabilidade do sistema financeiro doméstico, evitando uma intervenção do regulador junto do BNI, que atravessava turbulências recorrentes nas contas. O gestor fechou, com a Gemcorp Capital — através da sua gestora de activos, a Kassai Capital —, a venda de 70% da participação no BNI.
O nome de Mário Palhares esteve ainda associado, durante largos anos, ao sector segurador, tendo presidido ao Conselho de Administração da seguradora Aliança Seguros, detida pelo BNI — cargo que, segundo a página institucional da empresa, ainda ocupa actualmente.