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OpenAI, Anthropic e Google DeepMind estudam criar entidade para supervisionar riscos da Inteligência Artificial. Zuckerberg mostra-se contra

As três maiores empresas mundiais de Inteligência Artificial (IA) — OpenAI, Anthropic e Google DeepMind — estão a trabalhar na criação de uma entidade destinada a fiscalizar os riscos associados ao desenvolvimento desta tecnologia. A informação foi confirmada pela OpenAI à agência de notícias France-Presse (AFP), numa altura em que crescem as pressões internacionais para um maior controlo do sector.

A proposta de criação deste organismo de supervisão foi originalmente avançada em Julho por Demis Hassabis, cofundador e director-executivo do Google DeepMind, que sugeriu um modelo semelhante à Autoridade Reguladora da Indústria Financeira dos Estados Unidos (FINRA), uma entidade de autorregulação do sector financeiro norte-americano, com a missão de testar e avaliar os modelos de IA mais avançados antes do lançamento ao público.

Segundo a agência Bloomberg, o responsável de política global da OpenAI, Chris Lehane, confirmou que a colaboração entre as três empresas já decorre há várias semanas, sublinhando que não considera necessária uma isenção antimonopólio para que as concorrentes possam coordenar-se em matérias de segurança.

Zuckerberg opõe-se à ideia

Nem todos os grandes nomes da indústria apoiam, no entanto, a criação deste organismo regulador. Segundo o portal Politico, o presidente executivo da Meta, Mark Zuckerberg, transmitiu directamente ao Presidente Donald Trump, numa chamada telefónica realizada em Agosto, que considera a proposta de Hassabis “defeituosa”, alertando para o risco de “captura regulatória” — ou seja, de a nova entidade acabar por servir os interesses das próprias empresas que a criaram, em vez de proteger o interesse público.

Zuckerberg defende, em alternativa, uma “colaboração próxima e proactiva” entre os laboratórios de IA e o governo norte-americano, rejeitando processos rígidos de revisão e aprovação prévia dos modelos. Numa longa carta pública divulgada em Agosto, o fundador da Meta defendeu ainda uma estratégia centrada no “empoderamento individual”, argumentando que concentrar a inteligência artificial mais avançada num pequeno número de laboratórios cria, por si só, um problema de segurança — ao colocar o poder de decisão sobre esta tecnologia nas mãos de poucas instituições, em vez de o distribuir amplamente por indivíduos, empresas e governos.

A posição de Zuckerberg ganhou ainda mais visibilidade esta semana, na conferência Dreamforce, promovida pela Salesforce em São Francisco. Enquanto o director-executivo da Anthropic, Dario Amodei, reiterou o apelo a um abrandamento no ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados — posição também defendida por Sam Altman (OpenAI) e Elon Musk —, o director-executivo da Nvidia, Jensen Huang, alinhado com Zuckerberg, defendeu que “não são precisas novas leis nem novos regulamentos”, argumentando que as forças de mercado já impõem disciplina suficiente ao sector e que rapidez e segurança “não são mutuamente exclusivas”.

Contexto: alertas de ex-colaboradores e reacção de Trump

O debate sobre a segurança da IA intensificou-se nas últimas semanas, depois de dois antigos colaboradores de grandes empresas do sector terem alertado publicamente para as ameaças que a tecnologia pode representar para a humanidade. Jacob Coxon, que trabalhava como programador na Anthropic, afirmou que as empresas de IA estão “a brincar com as nossas vidas”, enquanto o antigo investigador do Google DeepMind, Bilal Chughtai, declarou nas redes sociais acreditar que a IA “tem potencial para matar-nos a todos”.

Em contraponto, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desvalorizou os alertas sobre os riscos da IA, classificando-os como uma “farsa” e falando de uma “conspiração doentia” nas críticas ao sector. O Presidente norte-americano e membros do seu governo têm reiterado que não pretendem impor limites ao desenvolvimento da IA, por recearem que tal beneficie a China na corrida tecnológica global — uma posição próxima da de Zuckerberg e Huang, ambos críticos de uma regulação mais apertada do sector.

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