Economia

Inflação abaixo dos 10% dá algum alívio às famílias angolanas

A inflação em Angola caiu para 9,33% em Julho, entrando novamente num dígito e reforçando a tendência de desaceleração dos preços. A evolução é positiva para a economia, mas ainda não significa uma redução do custo de vida para as famílias.

Na prática, uma inflação mais baixa significa que os preços continuam a subir, mas a um ritmo mais lento. Assim, os consumidores não deverão encontrar necessariamente produtos mais baratos, mas poderão beneficiar de maior previsibilidade na gestão do orçamento familiar.

O impacto será, contudo, diferente entre as famílias. Os preços dos alimentos e dos transportes continuam a ter um peso significativo nas despesas, sobretudo entre os agregados de menores rendimentos. Por isso, a percepção de alívio dependerá da evolução dos bens essenciais.

A desaceleração da inflação também dá maior margem ao Banco Nacional de Angola (BNA) para reduzir as taxas de juro. Em Julho, o banco central baixou a taxa BNA de 17% para 15,75%, enquanto reviu em alta a previsão de crescimento económico para 3,6% em 2026.

Se esta tendência prosseguir, poderá haver condições para crédito mais barato e para uma recuperação gradual do poder de compra, desde que os salários cresçam acima da inflação.

A estabilidade do kwanza será igualmente determinante, devido à dependência de Angola das importações. Uma moeda mais estável ajuda a conter os custos dos produtos importados e pode contribuir para manter a inflação sob controlo.

A entrada da inflação abaixo dos 10% representa, assim, um sinal positivo, mas o verdadeiro teste será saber se a desaceleração chegará ao cabaz básico das famílias e permitirá uma melhoria efectiva do poder de compra.

Foto: Ministro do Planeamento- Victor Hugo Guilherme

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