Desporto

A participação de África no Mundial fez-se entre progressos e oportunidades desperdiçadas, refere BBC

Num artigo intitulado ‘Surpresas, feitos históricos e golos tardios: o Mundial de África’ (tradução livre), a BBC Sport África traça um retrato da participação africana no Mundial de 2026 e chega a uma conclusão: houve progressos históricos, mas também oportunidades desperdiçadas.

Os principais destaques foram:

– Marrocos voltou a afirmar-se como a principal potência africana, tornando-se a primeira seleção do continente a alcançar quartos de final em dois Mundiais consecutivos.

– Cabo Verde foi a grande surpresa do torneio. Na sua estreia em Campeonatos do Mundo, ultrapassou a fase de grupos com empates frente a Espanha, Uruguai e Arábia Saudita, chegando aos 16 avos de final, onde obrigou a Argentina a prolongamento antes de perder por 3-2. O guarda-redes Vozinha tornou-se um dos fenómenos mediáticos da competição.

– Egipto e República Democrática do Congo (RDC) conquistaram as suas primeiras vitórias em fases finais de Mundiais.

– Cabo Verde, Costa do Marfim e África do Sul passaram pela primeira vez à fase a eliminar.

No entanto, a reportagem identifica um problema recorrente: a incapacidade de gerir vantagens nos minutos finais. Cinco selecções africanas sofreram golos decisivos perto do fim:Senegal desperdiçou uma vantagem de 2-0 frente à Bélgica. O Egipto deixou escapar um 2-0 contra a Argentina. RDC, Costa do Marfim e África do Sul também foram eliminados após golos sofridos nos instantes finais.

Os especialistas, citados pela BBC, atribuem esse padrão sobretudo à fadiga física e mental, que afecta a concentração e a tomada de decisões nos momentos decisivos, mais do que a uma fraqueza específica do futebol africano.

O texto também refere que a expansão do Mundial para 48 selecções beneficiou África, que levou 10 equipas e viu 9 delas chegarem à fase a eliminar.

A Tunísia foi a grande desilusão, perdendo os três jogos da fase de grupos mesmo após trocar de treinador. O Gana foi criticada pelo futebol excessivamente defensivo e pela escassa produção ofensiva.

Fora das quatro linhas, o artigo destaca as dificuldades enfrentadas por adeptos africanos na obtenção de vistos para os Estados Unidos e a polémica exclusão do árbitro somali Omar Artan, questões que geraram críticas à FIFA.

No final da chega-se que uma conclusão: África deu mais um passo em frente, com vários feitos inéditos e um número recorde de equipas competitivas, mas ainda precisa de ganhar experiência para transformar boas campanhas em percursos verdadeiramente históricos.

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