Desporto

FIFA investiga exibição de faixa da Argentina sobre as Malvinas após meia-final do Mundial

A FIFA abriu uma investigação à exibição, por jogadores da Argentina, de uma faixa com uma mensagem política após a victória sobre a Inglaterra nas meias-finais do Campeonato do Mundo, por considerar que poderá violar o código disciplinar da organização.

Recorde-se que, após o apito final, os internacionais argentinos Lisandro Martínez e Giovani Lo Celso exibiram uma faixa com a inscrição “Las Malvinas son Argentinas” (“As Malvinas são argentinas”), enquanto celebravam a qualificação para a final diante dos adeptos, em Atlanta.

O gesto gerou forte reacção no Reino Unido, onde membros do Governo pediram à FIFA que investigasse o caso. A entidade máxima do futebol confirmou que instaurou um processo disciplinar, classificando-o como um procedimento normal.

“A comissão disciplinar independente da FIFA está actualmente a analisar os relatórios do jogo e a considerar todas as circunstâncias relevantes antes de decidir sobre eventuais medidas adicionais, com base no Código Disciplinar da FIFA”, afirmou um porta-voz da organização à cadeia de televisão Al Jazeera.

Não é claro de onde surgiu a faixa, mas o regulamento da FIFA proíbe mensagens “que não sejam apropriadas para um evento desportivo”, incluindo conteúdos de natureza política, ideológica, religiosa ou ofensiva. As multas por este tipo de infração variam normalmente entre cerca de 5.000 e 20.000 dólares.

Reino Unido exige acção da FIFA

O ministro britânico dos Negócios e Comércio, Peter Kyle, classificou a exibição da faixa como uma “violação flagrante” das regras da FIFA e apelou a uma investigação rigorosa. “O Campeonato do Mundo pode não ser nosso, mas as Ilhas Falkland são definitivamente nossas”, afirmou um porta-voz de Downing Street. “O direito à autodeterminação pertence aos habitantes das ilhas e o compromisso do Reino Unido com as Falkland nunca vacilará.”

A questão das Malvinas – Falklands para os britânicos – remonta a 1992, quando a Argentina invadiu o arquipélago, território ultramarino britânico no Atlântico Sul, mas o Reino Unido recuperou o controlo após uma breve guerra ordenada pela então primeira-ministra Margaret Thatcher.

Questionado sobre a possibilidade de a faixa ter magoado veteranos do conflito, Lisandro Martínez, actualmente jogador do Manchester United, respondeu: “Não podíamos desiludir o povo argentino.”

Apoio de Javier Milei

O Presidente argentino, Javier Milei, considerou a celebração “perfeitamente válida”, afirmando que a mensagem “reflete um sentimento partilhado por todos os argentinos”. Ainda assim, admitiu que espera que a FIFA aplique uma multa. “O que os jogadores fizeram é compreensível. Deixaram-se levar pela emoção e isso provavelmente resultará numa discussão sobre uma multa”, afirmou à rádio nacional da Argentina.

Antes do encontro, a vice-presidente argentina, Victoria Villarruel, tinha aumentado a tensão ao referir-se aos ingleses como “piratas usurpadores”.

Após o jogo, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Argentina revelou ainda que Buenos Aires apresentou um protesto diplomático contra a passagem do navio de guerra britânico HMS Medway nas proximidades das ilhas, alegando violação de acordos bilaterais.

A decisão da comissão disciplinar da FIFA sobre o caso argentino ainda não tem data para ser anunciada

Recorde-se que o conflito das Malvinas causou a morte de 649 argentinos e 255 britânicos.

Casos semelhantes

Esta não é a primeira vez que a FIFA sanciona manifestações políticas relacionadas com disputas territoriais.

– Em 2014, a Federação Argentina foi multada em 30.000 francos suíços (34,4 milhões de kwanzas) por uma faixa idêntica exibida antes do Mundial do Brasil.

– Também em 2014, o sul-coreano Park Jong-woo foi suspenso por dois jogos após exibir uma faixa sobre a soberania das ilhas Dokdo/Takeshima, disputadas entre Coreia do Sul e Japão.

– No Mundial de 2022, a Federação Sérvia foi multada em 20.000 francos suíços (23.2 milhões de kwanzas) por colocar no balneário uma bandeira que reivindicava o Kosovo como parte da Sérvia, acompanhada da mensagem “Sem rendição”.

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