Economia

“O meu objectivo principal é fazer com que os recursos minerais contribuam cada vez mais para a melhoria da qualidade de vida da população angolana”

O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás de Angola, Diamantino Azevedo, traçou um balanço extenso da transformação do sector nos últimos anos, na conferência Doing Business Angola 2026, que decorreu em Lisboa. “O meu objectivo principal é fazer com que os recursos minerais contribuam cada vez mais para a melhoria da qualidade de vida da população angolana”, resumiu o ministro, ao fim de dez anos à frente da pasta, atribuindo a oportunidade à “orientação” recebida do Presidente João Lourenço.

Diamantino Azevedo defendeu que Angola deve deixar de ser um simples produtor de matérias-primas em bruto para passar a transformar localmente cada barril de petróleo, quilate de diamante, metro cúbico de rocha ornamental ou tonelada de cobre e minério de ferro produzidos no país. “Queremos transformar essa matéria-prima em produtos intermediários, em produtos finais. E sermos o factor principal da diversificação da economia de Angola”, afirmou, sublinhando que a estratégia passa por “trabalhar com foco e em equipa”.

No sector petrolífero e do gás, o ministro recordou que Angola tinha apenas uma refinaria, dos anos 50, cuja capacidade não foi aumentada mas cuja produção de gasolina foi reforçada em detrimento de resíduos, ao mesmo tempo que avança um programa para construir novas refinarias em Cabinda, no Soyo e no Lobito. No ano passado, o país começou também a produzir gás não associado ao petróleo, base de uma fábrica de amónia-ureia actualmente em construção — um investimento de cerca de 2,5 mil milhões de dólares —, componente do fertilizante NPK (azoto, fósforo e potássio), a par de projectos de exploração de fosfato e da procura de potássio para completar a cadeia nacional de produção de fertilizantes.

Na área mineira, Azevedo destacou o início da exploração de cobre no país, iniciado no ano passado, e anunciou que Angola vai também começar em breve a explorar nióbio, mineral cujas reservas mundiais estão hoje concentradas em mais de 80% no Brasil. O ministro referiu ainda um projecto para reiniciar a produção de minério de ferro — de que Angola foi um grande produtor antes da independência —, desta vez associado à siderurgia, com o objectivo de o país passar a produzir aço. “Um país no estágio de desenvolvimento em que estamos precisa de fertilizantes, precisa de aço, precisa de cimento, precisa de energia e precisa de pessoas”, afirmou.

O sector diamantífero foi outro dos exemplos citados: de uma única fábrica de lapidação em 2017, Angola conta hoje com dez fábricas do género e duas escolas tecno-profissionais dedicadas à formação de lapidadores nacionais, prevendo-se a inauguração de mais uma ou duas fábricas ainda este ano, no âmbito do Polo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo. O ministro anunciou ainda a inauguração, também este ano, da primeira refinaria de ouro do país, e recordou a decisão angolana de deixar de exportar quartzo em bruto, apostando em vez disso na produção de silício metalúrgico — já com seis fábricas do género em construção ou operação — como primeiro passo para uma futura produção nacional de poli-silício e painéis solares.

Dirigindo-se aos investidores presentes na conferência, Diamantino Azevedo foi directo quanto ao tipo de relação que pretende estabelecer com parceiros internacionais: “Não venham ter comigo e dizer que vêm ajudar. No meu ministério, quem entra vem fazer negócio numa lógica win-win: vocês pretendem algo, nós pretendemos algo. […] Por favor, não usem essa palavra comigo. Há interesses. Vocês têm o vosso, nós temos o nosso”, afirmou, acrescentando que a visão estratégica para o sector é angolana e que os investidores são bem-vindos para a ajudar a implementar, não para a definir. Aos empresários portugueses em particular, deixou um apelo para que deixem para trás “a inércia” que por vezes os caracteriza e passem a olhar para Angola como um destino efectivo de investimento, em entendimentos de negócio positivos para ambas as partes.

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