Da energia à banca, da logística à inclusão financeira nas zonas rurais, o Digital SummitAngola regressa em Novembro com a tese de que a transformação digital não é um fim em si mesma — é a condição para uma economia menos dependente do petróleo.
Angola não diversificará a sua economia sem digitalizar os seus sectores produtivos. É esta a premissa central que vai estruturar o Digital SummitAngola (DSA) 2026, marcado para os dias 24 e 25 de Novembro em Luanda, e que foi apresentada na semana passada durante o cocktail oficial de lançamento em Talatona, reunindo empresários, decisores públicos e especialistas do ecossistema tecnológico nacional.
Sob o lema Tecnologia para os Sectores Estruturantes da Economia Nacional, a segunda edição do evento parte de um diagnóstico partilhado por analistas e organismos internacionais: Angola dispõe de recursos, mas a sua capacidade de gerar valor a partir deles continua limitada por processos analógicos, infra-estruturas digitais insuficientes e baixa integração tecnológica nos sectores fora do petróleo. A transformação digital surge, neste contexto, não como uma tendência, mas como uma alavanca de competitividade.
“O nosso propósito é demonstrar como a tecnologia e a transformação digital podem acelerar a diversificação económica de Angola. Queremos reunir empresas tecnológicas, decisores públicos e líderes empresariais para debater soluções concretas para os sectores que impulsionam a economia nacional”, afirmou Acácio Alberto, director-geral do DSA.
A agenda da conferência reflecte essa ambição. Os debates organizaram-se em torno de quatro eixos: energia e recursos estratégicos, infra-estruturadigital, dados e conectividade, finanças e seguros, e mobilidade e logística. São precisamente os sectores onde a lacuna digital é mais cara — e onde o ganho de eficiência teria maior impacto no crescimento económico.
O director-geral da TIS, William Oliveira, colocou o problema de forma directa: sem investimento em conectividade, centros de dados e modernização tecnológica, a transformação económica não tem base onde assentar. A infra-estrutura digital é, nesta leitura, tão estruturante para o desenvolvimento como uma estrada ou um porto.
Mas a digitalização que não chega a todos não resolve o problema da diversificação — resolve o de quem já está no mercado. Sérgio Lopes, da New Cognito, alertou para este risco e apresentou uma resposta concreta: a solução DNC Plus, baseada em contentores tecnológicos modulares concebidos para levar serviços de educação, saúde e inclusão financeira a comunidades de difícil acesso. “A tecnologia só faz sentido quando aproxima pessoas e cria oportunidades”, disse.
A inteligência artificial foi outro tema que percorreu os debates do lançamento. Vários intervenientes identificaram o seu potencial para aumentar a produtividade empresarial, reduzir custos operacionais e apoiar sectores como a saúde e a educação — dois pilares do capital humano que determinam, a longo prazo, a qualidade da força de trabalho disponível para uma economia diversificada.
O DSA 2026 terá ainda uma dimensão regional, com a participação confirmada de delegações empresariais de Moçambique, Zâmbia e África do Sul, transformando a conferência num espaço de troca de experiências entre mercados africanos que enfrentam desafios semelhantes de modernização económica.