Petróleo recua para cerca de 97 dólares com sinais de distensão entre EUA e Irão

 Petróleo recua para cerca de 97 dólares com sinais de distensão entre EUA e Irão

Mercados reagem a possíveis avanços diplomáticos no Golfo Pérsico, reduzindo prémio de risco no crude. O preço do petróleo está a recuar nos mercados internacionais, com o barril de Brent a negociar em torno dos 97 dólares, pressionado por sinais de possível distensão nas relações entre os Estados Unidos e o Irão.

O Brent cai cerca de 1%, depois de ter estado próximo dos 98 dólares na sessão anterior, reflectindo a expectativa de que possam surgir avanços nas negociações entre Washington e Teerão, nomeadamente quanto ao bloqueio no estratégico estreito de Ormuz.

De acordo com informações divulgadas por meios iranianos, o regime terá recebido “sinais” de que os EUA estão disponíveis para aliviar o embargo, numa altura em que o Presidente Donald Trump decidiu prolongar o cessar-fogo na região, ainda que mantendo restrições à navegação.

O alívio das tensões geopolíticas está também a reduzir a procura por ativos considerados de refúgio, pressionando o dólar. O índice da Bloomberg que mede a força da moeda norte-americana recua 0,22%, acumulando perdas de cerca de 2,4% desde os máximos de Março.

No mercado cambial, o euro negoceia em alta, nos 1,1753 dólares, enquanto a libra avança para 1,3520 dólares e o dólar desce ligeiramente face ao iene.

Analistas antecipam, no entanto, que a volatilidade deverá manter-se elevada. “É provável que a volatilidade aumente à medida que ambas as partes procuram reforçar a sua posição nas negociações”, refere Chang Wei Liang, estratega do DBS Bank, citado pela Bloomberg.

A ligeira correção dos preços surge após um período de forte volatilidade ligado ao conflito no Médio Oriente, que tem influenciado directamente economias dependentes do petróleo, como Angola.

Para Angola, a descida dos preços pode traduzir-se em menor pressão inflacionista global, mas também num eventual abrandamento das receitas petrolíferas, numa altura em que o país continua altamente dependente do crude para financiar o Orçamento Geral do Estado.

Ainda assim, os níveis actuais — próximos dos 100 dólares por barril — continuam historicamente elevados, garantindo alguma margem financeira aos principais exportadores africanos.

Os investidores mantêm-se focados na evolução das negociações entre EUA e Irão, bem como nas decisões políticas que possam afetar o fornecimento global de petróleo.

Qualquer sinal de levantamento de restrições no estreito de Ormuz — uma das principais rotas energéticas do mundo — poderá aumentar a oferta e pressionar ainda mais os preços, enquanto um eventual agravamento das tensões poderá inverter rapidamente a tendência.