Ciência & Tecnologia

Empresas angolanas empenhadas na transição digital 

Os CEOs das principais empresas angolanas mostram-se empenhados em acelerar a transformação digital, reforçar competências internas e ajustar estratégias para garantir o crescimento até 2028, revela a primeira edição exclusivamente angolana do estudo CEO Outlook 2025, da KPMG.

O relatório aponta que, embora a confiança na economia global tenha caído para 73%, o optimismo interno permanece elevado: 87% dos líderes empresariais angolanos antecipam crescimento e 60% prevêem um aumento dos lucros superior a 2,5% nos próximos três anos. O estudo identifica um ciclo de liderança mais pragmático, sustentado por tecnologia, talento qualificado e ajustamentos estratégicos.

Vitor Ribeirinho, Senior Partner do Cluster KPMG Portugal e Angola, destaca que “os líderes empresariais em Angola estão a fazer escolhas estratégicas num ambiente desafiante, reforçando na tecnologia, no upskilling do talento e na sustentabilidade, como motores de competitividade e de criação de valor”. Acrescenta ainda que “as oportunidades de crescimento surgem para as organizações que investem com clareza, responsabilidade e velocidade nos sectores críticos da transformação”.

A inteligência artificial assume um papel central. Segundo o estudo, 74% dos CEOs angolanos estão a direccionar investimento para esta área e 93% acredita que o retorno chegará num prazo de cinco anos. Quase metade das empresas já integrou IA nos processos diários, e a maioria estimula a experimentação contínua dentro das equipas. Contudo, persistem desafios estruturais: 87% dos líderes identificam questões éticas como preocupação relevante e igual proporção refere a qualidade dos dados como condição essencial para escalar tecnologia. A resiliência cibernética também ganha prioridade, com 53% a reforçar investimentos face à crescente incerteza económica.

No campo do talento, o estudo revela uma reconfiguração profunda. Para 63% dos líderes, a qualificação em IA será determinante para a prosperidade futura das empresas. Angola destaca-se ainda por apresentar um dos índices mais elevados de reconversão interna, com 80% das organizações a transferir colaboradores de funções tradicionais para funções potenciadas por IA. O envelhecimento da força de trabalho surge como um desafio adicional: 53% dos CEOs manifesta preocupação com a reforma iminente de trabalhadores qualificados e a falta de substituição técnica imediata.

Na agenda ESG, 54% dos inquiridos acredita estar no trajecto certo para cumprir metas de zero emissões líquidas até 2030. As principais barreiras apontadas incluem a descarbonização das cadeias de abastecimento (33%) e a falta de competências especializadas (7%). A pressão regulatória intensifica-se, com 73% dos líderes a colocar as normas de reporte ESG no centro da estratégia de compliance. A IA também se destaca no domínio ambiental, com 87% dos CEOs a identificar oportunidades para reduzir desperdício e optimizar consumos energéticos.

A primeira edição angolana do CEO Outlook traça, assim, um retrato de liderança que combina ambição tecnológica, cautela macroeconómica e um pragmatismo crescente face aos desafios globais.

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