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Urge substituir as importações

Luanda /
26 Set 2022 / 10:31 H.
Estêvão Martins

É um dado assente que Angola está longe de ser considerada como um País desenvolvido, estando por isso muito dependente das importações de bens e serviços. E reverter esse quadro, acelerando a produção interna em diferentes sectores, é um dos objectivos pelo qual foi criado - através do Decreto Presidencial n.º 169/18 de 20 de Julho - o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI).

O PAC - Projecto de Apoio ao Crédito - que foi criado ao abrigo do PRODESI, para financiar os projectos, a fim de gerar riqueza está longe de cumprir com os objectivos que estiveram na base da sua criação, dado o baixo nível de financiamento, tal é o aumento das importações que vem ocorrendo nos últimos anos, incluindo produtos que poderiam facilmente ser produzidos no País.

No primeiro semestre deste ano, por exemplo, as importações de Angola fixaram-se em 8,2 mil milhões USD (cerca de 3,5 biliões Kz), registando um aumento de 52% em relação ao mesmo período de 2021. Os combustíveis, cujo sector (Petróleo e Gás Natural) é prioritário no âmbito do PRODESI, foram dos produtos mais importados com um custo estimado em 1,9 mil milhões USD, representando 23% do total das importações do período.

O projecto de construção das refinarias em curso no País afigura-se como a tábua de salvação do sector, na medida em que Angola vai passar de importador a exportador de produtos refinados. Ao que tudo indica o País prevê refinar no futuro quase 400 000 barris de petróleo bruto por dia com a construção das refinarias do Soyo, Cabinda e a requalificada refinaria de Luanda. Este passo é de suma importância para as aspirações de Angola tendo em conta a materialização dos objectivos do PRODESI.

Mas não só do petróleo vive o País e urge aumentar os investimentos para alavancar o sector não petrolífero, que registou um crescimento de 6,4%, no ano passado, segundo dados oficiais do Governo. O sector da Alimentação e Agro-indústria, no âmbito do PRODESI deve merecer também grande atenção dos decisores políticos, que devem apostar forte na agricultura, tendo em conta que nos primeiros seis meses do ano foram gastos 1,3 mil milhões USD na importação de bens alimentares.

Só em 2021 o País gastou cerca de 2 mil milhões USD com importações de alimentos, valor que pode ser reduzido pela metade quando o País começar a produzir em grande escala os alimentos que consome.