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Trabalho decente em meio à pandemia

Luanda /
12 Out 2020 / 10:17 H.
André Samuel

Celebrou-se nesta quarta-feira o dia mundial do trabalho decente, data instituída em 2007 no Fórum Social Mundial em Nairobi (Nigéria). As premissas desta efeméride assentam no direito de homens e mulheres realizarem trabalhos produtivos, em condições dignas de liberdade e segurança.

Falar desse tema ganha particular importância no actual contexto económico adverso que as empresas em todo mundo, particularmente em Angola, atravessam. A necessidade de dowsizing assume características imperativas em períodos de crise, mas a mesma não justifica as atrocidades que muitos gestores submetem os seus colaboradores.

O redimensionamento da empresa deve em primeiro lugar privilegiar a simplificação de processos, redução de burocracia, aumento da eficiência e eficácia, tudo para assegurar maior produtividade ao menor custo, bem como tornar a empresa mais competitiva.

A redução de posto de trabalho não deve implicar, como acontece geralmente, em aumento da carga laboral para quem conservar o posto de trabalho. Reforço aqui, simplificação de processos deve ser a chave. Para o efeito, os decisores devem contar e confiar nos gestores de recursos humanos da empresa.

Estes devem assumir o seu real papel no crescimento da empresa neste período difícil. O que implica seleccionar de forma imparcial os colaboradores que melhor se ajustam à nova realidade da organização.

Não pelo tom da pele, nem pelo grau parentesco com o accionista ou de outras figuras influentes na política, como acontece em muitos casos na realidade angolana. De nada serve tapar o sol com a peneira, vamos dar os nomes aos bois. Quando um gestor atropela o papel do profissional de recursos humanos, ele coloca em risco o sucesso do negócio. Quando o decisor nomeia um quadro sem a devida qualificação seja para que área for, compromete o bom funcionamento de outras áreas da empresa.

Quando este gestor se imiscui na missão do RH, interfere na contratação ou promoção, para além de quebrar a justiça laboral e a meritocracia, revela que não confia nos profissionais desta área.

A sobrevivência das empresas está fortemente ligada a qualidade do capital humano que a mesma ostenta. Cabe ao RH desenvolver e acompanhar as estratégias de crescimento dos trabalhadores, assegurar as condições dignas para o exercício da actividade dentro e fora da organização, garantir que cada funcionário gere retornos na medida ou superior ao investimento inicialmente feito pela organização.

Por essa razão, caro gestor, permita que o departamento de RH cumpra com o papel devido. Os colaboradores agradecem.