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Sorte má e boa sorte

11 Out 2019 / 16:53 H.
Ricardo David Lopes

Com a entrada em vigor do IVA, no passado dia 1, confirmou-se aquilo que aqui escrevemos há duas semanas e que muitos temiam: os preços, em inúmeros casos, subiram mais do que deviam, ou subiram quando não deviam ter subido, levando as autoridades a lançarem alertas e, em centenas de casos, a actuarem.

Não tivemos sorte, para começar. Deve reflectir-se sobre este tema, porque a subida dos preços tem um efeito determinante sobre as vidas das pessoas e das empresas, que suportam uma inflação anual de dois dígitos há vários anos, secando o poder de compra e a capacidade de investimento.

O ritmo da subida de preços tem vindo a descer, mas era esperado que o IVA causasse impacto em muitos produtos e serviços. É agora o momento de apertar ainda mais a fiscalização, apelando à ajuda das pessoas e das empresas na denúncia de casos de subida injustificada de preços. Mas é igualmente necessário que haja mais transmissão de informação sobre este tema.

De uma forma próxima às camadas sócioeconómicas mais baixas, em especial ligadas à actividade informal, de forma mais abrangente junto do segmento mais informado, ou com mais capacidade para se informar. O Estado preciso de mais receitas fiscais, e o IVA terá esse efeito a prazo, mas não devemos por isso pagar um preço acima do esperado.

Entretanto, Vera Daves assumiu a pasta das Finanças, sucedendo a Archer Mangueira, cumprindo aquele que parecia, para muitos que a conhecem, um desígnio por cumprir.

Conhece bem os dossiers, é tecnicamente competente, dialogante, comunicativa, focada e humilde, além de empática.

É a primeira ministra das Finanças do País, o que confere um valor (ainda mais) simbólico à nomeação. Mas Vera Daves tem pela frente uma tarefa dura, num momento em que Angola atravessa sério problemas económicos e financeiros, ao mesmo tempo que procura abrir-se ao investimento externo, mostrando que está a dar passos para reforçar a sua credibilidade.

O seu sucesso, será o de todo nós. Devemos por isso, desejar a melhor das sortes (e muito trabalho) à nova ministra das Finanças.