Sob nova administração

Angola /
22 Mar 2019 / 09:27 H.
Aylton Melo

O Conselho de Administração da Unitel está em mudanças. Depois de nesta última terça-feira, A assembleia geral de accionistas ter indicado um novo Conselho de Administração que escolheu três novos administradores e um novo director-geral. Mas mais mediático foi a “despromoção” da empresária Isabel dos Santos da posição de PCA, que ocupava há quase 20 anos, sendo quase certo que não continue nas funções, a partir de 6 de Maio do ano em curso.

A engenheira liderou e terá o devido mérito pelo crescimento e o desenvolvimento da operadora de telefonia móvel e internet que tem a maior quota de mercado do sector. Em 2018 a operadora de telefonia móvel detinha 80% de quota de mercado com 11,3 milhões de clientes e as receitas poderão mesmo superar a dos três ou cinco maiores bancos privados da nossa praça. Se considerarmos os dados do Instituto de Preços e Concorrência, que estima que os clientes gastaram com a operadora (voz, dados e aparelhos), em média, 5.912,50 Kz, em 2017. Mas, a Unitel tornou-se imensa, tão imensa que se fez ao mundo, de tal modo que se tornou maior do que Angola.

A multinacional é uma máquina tão rentável que se tornou mais importante do que os seus fundadores pudessem imaginar, em 1999, ano da sua primeira escritura pública em Diário da República. Dado certo, é que a operadora agora que está sob nova administração e direcção, não mais será a mesma. Se antes o poder de decisão estava concentrado numa pessoa. Por esta e outras razões, a então PCA da Unitel só tinha simpatia de um dos accionistas para continuar à frente da empresa, sendo que os outros dois (Oi/PT e Sonangol) já manifestaram publicamente a sua intenção de ascenderem ao cadeirão máximo da gestão da empresa. A “ascensão” da petrolífera Sonangol (MsTelecom) e a gigante brasileira Oi (que se livrou no mês passado de uma hecatombe causada por uma dívida 19 biliões USD.

Mas foi salva pelo resultado da luta renhida entre credores e accionistas, que decidiram pela restruturação da dívida), sob Isabel do Santos na Unitel é mais uma vitória da Oi que alinhou-se a Sonangol no rol, do que para a Sonangol, que se anima com os temos da partilha do poder, tanto tempo quanto for possível, ou diríamos, quanto a Oi permitir.