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Salvação para o sector secundário

Angola /
30 Ago 2019 / 12:50 H.
Aylton Melo

Até finais de 2017 a Indústria de bebidas nacional crescia em investimento e em postos de trabalho apesar do contexto. Lideravam uma aparente resilência o Grupo Castel, Refriango e a Sodiba, companhias que mais marcaram posições com novas marcas e aumento da produção. Estas indústrias do sector secundário contrariavam todos os indicadores económico, já que cresciam até em inovação e em consumo. Mas, afinal o que aparentemente seriam bons indicadores de sustentabilidade eram efectivamente imagens invertidas da realidade, que camuflavam a real situação em que se mergulhava aos poucos este segmento da indústria nacional.

Do lado das vendas, as quebras começaram em 2016, seguiram-se quedas em 2017 e 2018. “Muitas empresas viram o negócio recuar mais de 30%”, diz o presidente da AIBA, Manuel Sumbula em entrevista no destaque desta edição que tem em mãos. A situação só se agrava. Agora em 2019 arrancou com quebras de até 50%. “A quebra no poder de compra da população nos últimos anos foi muito acentuada, e isso trouxe grandes quebras de vendas para as empresas, pondo em risco a sua sustentabilidade”, lamenta.

Perante tal cenário, não é por acaso que os empresários do sector das bebidas estejam preocupados com o impacto das taxas do Imposto Especial de Consumo (IEC) recentemente aprovadas. Em uníssono, defendem que são exageradas face à proposta apresentada pela associação que os representa. Porque a indústria de bebidas, afirma o gestor, está a atravessar uma crise “muito significativa” decorrente do impacto que o Programa de Estabilização Macro-económica está a ter no poder de compras das populações.

“Se, por um lado é certo que alguma contracção é necessária para atingir os objectivos de estabilização macro-económica, aquilo que está a verificar-se é de tal modo grave, que vem comprometer a continuidade da maioria das empresas do sector, colocando em perigo milhares de postos de trabalho e comprometendo todo o potencial de desenvolvimento de todas as actividades adjacentes na cadeia de valor”, alerta o responsável. Então qual seria o impacto, caso não se ponha um freio na sangria que está a acontecer no que ainda pulsa com alguma vitalidade, que é o sector secundário da indústria nacional?

A indústria de bebidas nacional terá criado até o final de 2017 14 mil postos de trabalhos directos e 42 mil indirectos, nos últimos dez anos. Por outro lado, criou autosuficiência em matéria de capacidade produtiva, contribuiu positivamente para a balança comercial, nos últimos 10 anos. Desenvolveu em termos económicos quatro províncias – através do investimento em unidades fabris e cobertura comercial de todo o território nacional; contribuiu também ao nível fiscal e aumento da produção nacional.

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