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Risco ou crise reputacional

Angola /
30 Nov 2019 / 17:30 H.
André Samuel

A gestão corporativa não é, ou pelo menos não deve ser, um “one showman”. A reputação de uma empresa, principalmente a perda dela, não deve depender da decisão de apenas uma pessoa. Dito de outra forma, quer pelo bem ou pelo mal, o destino de uma organização não deve estar refém da acção de um só gestor.

O actual momento da economia nacional exige mais das empresas, isto é, da visão dos seus gestores. Qualidades anteriormente consideradas abstractas como ética, transparência e equidade hoje são activos fundamentais. A ausência destes acarreta para a empresa risco reputacional. Diz o aforismo que “pior que um gestor sem caracter, é um gestor sem caracter falido”. Está é uma ideia defendida principalmente no mercado de capitais, onde a maioria dos investidores se recusam a aplicar os seus recursos em empresas cuja reputação esteja maculada, ainda que os resultados financeiros sejam aliciantes. Pior será se está empresa estiver desesperada para obter financiamento.

O risco de reputação causa prejuízos aos valores de uma organização e envolve a caída na percepção dos clientes, fornecedores, governos e todas as partes interessadas. Não se trata apenas de cumprir e se fazer cumprir as normas legais e regulamentares, as políticas e as directrizes estabelecidas para o negócio e para as actividades da empresa. Implica a forma como lida com os colaboradores, fornecedores e com o capital a si confiado. Um gestor que tem como passivo diversas empresas falidas, e que esteja a beira de fracassar em mais um negócio, talvez sinta que o mercado não mudou e que ainda pode ser resgatado. O Estado ainda é o principal contratante de serviços e já anunciou que doravante vai empenhar maior rigor na relação com as empresas. A banca parece estar mais avisada e o histórico das empresas é levado em conta na análise para a concessão de crédito. Encontrar parceiros credíveis e interessados a apostar nos objectivos das empresas se torna uma missão desafiante, pois os investidores estão mais cautelosos. Diante deste cenário, as empresas devem optar por melhorar a sua imagem e se certificarem que as decisões são sempre em prol do bem comum da organização. Os gestores devem efectivamente contar com os seus advisors, partilhar a responsabilidade e acima de tudo primar por uma gestão com valores. Recuperar a reputação será uma tarefa hercúlea, mas pode ser alcançada dependendo de como a confiança foi perdida. Decerto que vai requerer tempo, esforço, paciência e custo para ganhar novamente a confiança. A severidade pode ser extrema ou leve em dependência de três factores: qualidade da reputação antes do incidente, as causas do incidente e o tratamento do incidente para prevenir que se torne em uma crise.