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Recuperar a credibilidade

29 Mar 2021 / 16:08 H.
André Samuel

A credibilidade nas empresas nacionais foi fortemente abalada nos últimos anos, principalmente nos últimos três. Muito porque neste período foi “destapada a cuba” que revelava o banquete em que pseudo-empresários se refastelavam à custa do erário, em conluio com os verdadeiros mandantes na gestão do património de todos.

Durante décadas, empresas tidas como pilares em diversos sectores figuraram nas manchetes como detentoras de prémios A, B e C, atribuído por instituições nacionais e internacionais. Gestores de empresas publicas e privadas desfilaram nos tapetes vermelhos de eventos com nomes pomposos, mas que na verdade eram apenas para inflamar o ego de quem alimentava a máquina predatória que consumia a vitalidade da economia nacional até a deixar no estado moribundo em que encontra.

A promiscuidade foi tanta, que a gata pariu o leão, isto é, todos eram reis e ninguém havia que se importava, pelo menos de verdade, em revitalizar a economia. O sistema bancário se tornou refém dos lobos. Estes abocanhavam todas as oportunidades de financiamento, deixando os verdadeiros interessados em construir algo sustentável a olhar para o palácio.

Hoje a indústria clama por socorro, a agricultura está traumatizada e ambas recordam saudosistas do vago sonho de serem a base e o factor decisivo do desenvolvimento da Nação. Depois do fracasso do Programa Angola Investe (PAI), se renovam as esperanças com o PRODESI. Novos tempos, clamam os optimistas, ver para crer retruquem os desconfiados.

De desconfiados o sistema está cheio, a banca não está excluída do conjunto, pois a credibilidade nas empresas está maculada. Não é por menos. Mas, como disse, novos tempos, novos fazedores, nova vontade. Não se vence uma corrida olhando para trás, que o passado apenas sirva de experiência e nada mais.

É hora de recuperar a credibilidade. Passos estão a ser dados, os esforços para financiar os “fazedores” da economia real têm novo acompanhamento. O INAPEM, como serviço de apoio ao crédito, assumiu o compromisso de acompanhar o processo até ao fim do reembolso.

A preocupação com a cadeia de valor esteve na mesa dos decisores que em conjunto com os verdadeiros executores e académicos analisaram a fundo e produziram soluções. Soluções que mesmo não sendo novas têm agora renovado o voto de confiança dos agentes económicos que as esperam ver materializadas. Por seu turno aos investidores é cobrado transparência na gestão, rigor e resultados.

A credibilidade nas empresas despencou do luxo para o lixo, a queda foi vertiginosa e vergonhosa, a sombra não foi suficiente para encobrir o pudor e o País foi exposto. Inverter o quadro não será fácil, contudo é um caminho possível.