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Quatro desafios para JLO

Luanda /
21 Set 2022 / 14:23 H.
Agostinho Rodrigues

No discurso de investidura o Presidente da República, João Lourenço, elencou um conjunto de desafios: investir no ser humano como principal agente do desenvolvimento, na sua educação e formação, na habitação condigna, energia eléctrica, trabalhar em políticas e boas práticas para incentivar e promover o sector privado da economia, para aumentar a oferta de bens e serviços de produção nacional, aumentar as exportações e criar cada vez mais postos de trabalho para os angolanos, sobretudo para os mais jovens. Até aqui João Lourenço (JLo) andou bem, mas a estes desafios adicionamos mais quatro ( produção de grãos, de carne, de pescado e bens da cesta básica), que em nosso entender podem fazer toda a diferença, contribuindo para a diversificação da economia e a geração de novos empregos para a juventude. Na verdade, os desafios em causa não são em si novos, mas urge sair da teoria a prática neste quinquénio 2022-2027, aliás, como assinalado e muito bem pela Juíza Conselheira Presidente do Tribunal Constitucional: “Angola não pode ser adiada. Angola não deve continuar a ser um mero sonho!” Sim, é preciso fazer do sonho realidade pois não é por acaso que caminhando se faz caminho. O caminho prioritário para a produção em grande escala de grãos, desde o milho, arroz, trigo e soja, no curto e médio prazo, o caminho para produção de carne bovina (com o aproveitamento de facto do planalto de Camabatela e de outras regiões férteis.

Pelo seu potencial, o País tem todas as condições para rivalizar com o Egipto, o 14º colocado no ranking mundial (6,99 milhões de animais, 0,70%), de acordo com dados do rebanho total dos principais países em termos de efectivo de animais, em 2017, segundo USDA/FAO. Ou seja, o maior rebanho do mundo, em número de animais está na Índia, seguido do Brasil, China, Estados Unidos e União Europeia. O caminho também deve ser conseguido na produção anual de pescado, pois o preço do peixe é ainda caro, para além da necessidade de se produzir mais e com qualidade bens nacionais para a cesta básica. Mais do que o discurso oficial, urge arregaçar as mangas, passar a prática para uma agricultura desafiante, capaz de produzir localmente os bens da cesta básica, que em boa verdade já começaram a ter um certo incremento no preço do arroz, da coxa de frango, óleo alimentar, para citar apenas estes. Para tal, o Executivo deverá aumentar a quota da agricultura no próximo OGE, promovendo-se créditos bonificados e outros incentivos, bem como melhorar as vias de comunicação para o escoamento de produtos para os principais centros comerciais. Se o intento é fazer de Angola um País auto-suficientes em alimentos, não há volta a dar.