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Plano de Continuidade de Negócio: Como garantir o futuro tendo em conta o passado?

08 Abr 2020 / 11:13 H.
Loenor Paleja

O objectivo do Plano de Continuidade de Negócio (PCN) é permitir que uma organização restaure processos críticos de negócio após a declaração de um desastre, mantendo a capacidade de prosseguir com a sua missão principal e assegurando a sua viabilidade a longo prazo. Tais incidentes poderão incluir eventos locais como incêndios/ terremotos ou eventos internacionais como doenças pandémicas semelhantes às observadas recentemente.

Há poucos meses, seria comum que os gestores incluíssem nas suas agendas analises do mercado, desenvolvimento e implementação de estratégias comerciais e definição de metas financeiras e de desempenho, não sendo, no entanto, o PCN uma das principais actividades da agenda.

Não obstante, o COVID-19 trouxe incerteza a todos os gestores, tendo sido levantadas um conjunto de questões sem resposta definida, nomeadamente decisões quanto a medidas a serem tomadas para mitigar os choques comerciais, quanto à reorganização da estratégia de negócio e quanto à forma de contribuir na cadeia de valor.

Neste contexto, o PCN ganha relevo e a sua adequabilidade aos novos desafios também. Tornou-se necessário ter em conta novas vertentes como os impactos decorrentes de medidas tomadas a nível governamental ou global, fora do domínio de qualquer equipa de gestão. Tornou-se igualmente notória a necessidade de desenvolvimentos tecnológicos que permitam acessos remotos dos colaboradores aos sistemas das organizações, a melhoria de mecanismos de comunicação com os vários stakeholders, relevantes para a continuidade do negócio, bem como o aumento de consciencialização quanto à eficiência do teletrabalho, sem descuidar a segurança dos colaboradores nem das informações por eles utilizadas.

À medida que as organizações crescem em tamanho e complexidade, o impacto da indisponibilidade de recursos aumenta, e numa economia cada vez mais global devem ser considerados riscos existentes noutros mercados e comunidades. É, portanto, necessário que o PCN não contemple apenas uma reflecção sobre as operações da organização, mas também a interligação ao mundo dos negócios, alinhando-se com as expectativas dos gestores de esperarem pelo melhor, preparando-se para o pior. Segundo Confúcio, filosofo chinês, “Se queres prever o futuro, estuda o passado”. Nos tempos controversos em que vivemos, para prevenir o futuro é, assim, necessário rever as dificuldades sentidas para antecipar o futuro.

* Manager EY, Advisory Services