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Percepções sobre empreendedorismo

07 Fev 2020 / 11:55 H.
Aylton Melo

A chanceler alemã Angela Merkel terá chegado ao País, pela segunda vez, para confirmar anteriores e obter novas percepções sobre o estágio das multilaterais entre os dois países.

Qual será a percepção que a líder mais poderosa do mundo terá do facto de em quase um ano nem um cêntimo foi concedido à projectos empresariais dos sectores agro-indústrial e pescas da linha de crédito de mil milhão USD que foi disponibilizada pela Alemanha? A inércia que se verificou sobre este financiamento do Deutsche Bank e de outros, talvez terá justificado a saída de extremos cautelosos, já substituídas por pontas de lança potencialmente mais desengonçados.

Parece-nos um déjá vu de outras linhas de crédito disponibilizadas, mas que raramente encontram projectos ou empresários “suposta” ou suficientemente preparados para o ensejo. É pouco crível que os estrangeiros estejam mais interessados na diversificação de Angola do que os angolanos. E também não concordar que se repita a assinatura de acordos de financiamento que são canalizados para as empresas do país de origem dos montantes, ainda que sejam para projectos em Angola.

A diversificação é uma responsabilidade dos verdadeiros empreendedores angolanos. Porque capacidade, potencial de mercado (incluindo regional) e oportunidade não faltam. Ainda muito recentemente, um estudo da GEM Angola – Global Entrepreneurship Monitor, em colaboração com o SPI (Sociedade Portuguesa de Inovação) e o CEIC (Centro de Estudos e Investigação científica) da UCAN, fizeram um estudo independente sobre o empreendedorismo em Angola em 2018, a comprovar que há muitos empreendedores que acreditam em si mesmo e no mercado nacional. O estudo revela que 75,7% dos angolanos declaram ter as capacidades, os conhecimentos e competências necessárias para criar e gerir o seu próprio negócio. Este valor representa uma descida, ainda que pouco acentuada de 1,5 pontos percentuais relativamente o valor registado em Angola em 2016. Mas, ainda assim, no que diz respeito à percepção sobre as competências para se criar e gerir um negócio, os valores registados em Angola, no ano em referência, são superiores aos que se verificam em todas as de economias analisadas. Apesar do contexto pouco animador, em comparação com as restantes economias de rendimento baixo, os angolanos revelam-se bastante mais positivos relativamente ao surgimento de oportunidades de criação de negócios, mas que podem nunca nascer para a luz do dia por falta de financiamentos que acreditem em pequenos projectos, pela sua simplicidade.