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Pagar impostos pode não ser assim tão mau. Ou é mesmo?

21 Jan 2020 / 14:19 H.
Ricardo David Lopes

Uma espécie de piada no mundo das empresas e finanças reza que, para um financeiro, pagar é como morrer: quanto mais tarde, melhor. A afirmação tem a ver com o facto de, muitas vezes, a braços com problemas de tesouraria, os responsáveis financeiros das empresas serem obrigados a fazer uma espécie de ginástica com os pagamentos, adiando os que podem o mais possível e dando prioridade aos que, de alguma forma e por alguma razão, não podem mesmo ser protelados. A atitude da maioria das empresas e cidadãos, aqui como em muitas (mas não todas) geografias, assenta sobre o mesmo princípio: quanto menos se pagar, melhor e, se se puder não pagar, melhor ainda. É compreensível, mas apenas em parte. Os impostos, como referem juristas ouvidos na edição nº240 do Mercado, podem ser altos por vezes, mas, se a sua receita for bem aplicada pelo Estado, mesmo sendo altos, ou aparentemente altos, resultam no bem comum.

E é esta a ideia que deve ir entrando nas nossas cabeças, porque a forma como nos relacionamos com os impostos - partindo do princípio, de boa fé, de que são bem aplicados - reflecte também a nossa maturidade como cidadãos. Há alguns anos, em Portugal, por exemplo, não pagar impostos, fugindo de alguma forma, era visto como um sinal de esperteza, de coragem. Mas, hoje, depois de muitas campanhas de educação financeira e fiscal - e de o Estado mostrar mão pesada com alguns infractores e alguns resultados melhorados nos serviços públicos - , já ninguém tem orgulho em dizer que não paga impostos. Hoje, dizer que não se paga impostos é socialmente reprovável - e esta realidade já chegou a muitos, mas muitos países do mundo. Não tenhamos, pois, medo, nem pena, nem raiva por pagar impostos nem por cumprir atempadamente as nossas obrigações fiscais. É nossa obrigação honrar os nossos compromissos perante a sociedade, incluindo o pagamento de impostos. Se o fizermos, ganhamos um direito reforçado de questionar o Estado sobre o que faz com o nosso dinheiro, porque o dinheiro do Estado é nosso e o Estado somos nós. Os acertos de contas fazem-se nas urnas, quando avaliamos quem nos governo, mais do que nas declarações de pagamento ou reembolso de impostos.