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Os Principais Riscos à Economia Europeia em 2021 e seu Reflexo na Economia Angolana

12 Out 2020 / 10:04 H.
Porfírio Muacassange

I . Enquadramento

O Fundo Monetário Internacional (FMI) no Outlook de Junho/2020, relata que a economia mundial conhecerá grande recessão no fecho do ano fiscal vigente, com a queda do PIB mundial em cerca de -8.0%. Para os Mercados Emergentes e Economias em desenvolvimento (MEED), incluindo Angola, projectando-se um decréscimo de -3.0% e de- 4% para Angola. Todavia, para o exercício económico de 2021 os dados sobre o crescimento são animadores, prevendo-se um crescimento da economia Global em 5.4%, sendo, 4.8% para as Economias Avançadas e 5.9% para os MEED (para Angola projecta-se um crescimento de 2.6%).

Contudo, torna-se necessário prestar uma atenção especial aos factores que ameaçam o crescimento das economias, isto é, aos riscos inerentes à qualquer actividade económica. Por essa razão, trazemos análise dos riscos à economia europeia (identificados pela Confederação Europeia dos Institutos de Auditoria Interna-ECIIA) que, dada a globalização, poderão influenciar o curso da economia angolana.

II. Principais Riscos e seus Reflexos na Economia Angolana

A. Top 10 dos Riscos Identificados

A ECIIA publicou recentemente as áreas chave de risco identificadas pelos Chefes Executivos de Auditoria (CAE) de mais de 30 países da Europa, apresentando, como abaixo se designa, os riscos mais relevantes para exercício económico de 2021, de acordo com os seus impactos na economia :

. Cibersegurança e Segurança de Dados (79%)

. Alterações na Regulamentação e Compliance(59%)

. Digitalização, novas Tecnologias e Inteligência Artificial “IA” (51%)

. Riscos Financeiros, de Capital e de Liquidez (42%)

. Capital Humano e Gestão de Talentos (35%)

. Desastres e Resposta a Crises (34%)

. Incerteza Macroeconômica e Geopolítica (33%)

. Cadeias de Abastecimento, Terceirização e Risco de ‘Enésima Parte’ (26%)

. Governança Corporativa e Relatórios (25%)

. Comunicações, Gestão e Reputação (25%)

Estes riscos apresentam-se compagináveis à matriz de riscos do Relatório Global de Riscos para 2020 do World Economic Forum (WEF), que os estimou

do seguinte modo em termos de impacto:

. Falha na acção climática

. Armas de destruição em massa

. Perda de biodiversidade

. Clima extremo

. Crise de água

. Repartição da infraestrutura de informação

. Desastres naturais

. Ataques cibernéticos

. Desastres ambientais de origem humana

. Doenças infecciosas

Verificamos que na posição nº10 previu-se o risco que assola o mundo e a economia de todos países, que se materializou através da pandemia da COVID-19. Os governos e empresas que não projectaram na sua matriz de estratégias acções para enfrentar as ameaças dos riscos acima ilustrados estão e continuarão a enfrentar as suas consequências.

B. Reflexos na Economia Angolana

As economias estão interligadas por transações. A nossa economia está dependente do exterior conforme nos ilustram a Balança de Pagamentos e Posição de Investimento Internacional (BPPII) e a Folha de Informação Rápida sobre as Estatísticas do Comércio Externo (FIR) do 2º Trimestre de 2020 que nos apresentam um grande volume de transações com o exterior, particularmente com os países da União Europeia.

Deste modo, é importante realçar que para além dos riscos da volatilidade do preço do petróleo no mercado internacional e do risco da crise da dívida soberana e dos Bancos, os riscos previstos pelo ECIIA para 2021, terão um significativo impacto nas relações económicas e de negócios entre as empresas, pois, em todo processo transacional, as Empresas e Organizações da UE levam em consideração toda essa matriz de risco.

Daí que a nossa economia e as nossas empresas que dependem do exterior em mais 90% terão janelas apertadas para negociar com o exterior. O Governo e o Sistema Financeiro Bancário poderão vivenciar fortes limitações nas suas relações com exterior uma vez que haverá um certo receio negocial das contrapartes.

Sobre tais limitações podemos mencionar: limitações de crédito do exterior, restrições de seguros de compras nas importações, linhas e cartas de crédito limitadas nas importações e limitado crédito à exportação, podendo colocar entraves ao processo de estabilização da economia nacional e dos programas de apoio à produção e diversificação da economia.

III. Considerações Finais

Com base na análise acima exposta sugerimos:

A incorporação no OGE 2021, dos principais riscos que afectarão a economia em 2021 previstos pela ECIIA e pelo WEF, estratégia de mitigação, bem com a criação de um fundo na rubrica reserva orçamental para a mitigação desses riscos;

Alavancagem do Programa de Apoio à Produção com este fundo e criação de seguros agrícolas internacionais para o programa de apoio ao crédito, prevenindo os produtores da componente de risco “Desastres e resposta às crises”;

Considerar na revisão do PDN 2018-2022, os riscos associados à economia e sua estratégia de mitigação;

Que o sector financeiro bancário e as organizações em geral possam aprimorar as matrizes da gestão de riscos;

Revisitar o modelo de actuação da política comercial externa, tendo em conta a matriz de riscos a médio prazo.

Que os Departamentos de Auditoria Interna e as empresas de consultoria possam auxiliar as organizações na concepção de planos sólidos para mitigação de riscos.