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Optimismo contagiante mas surreal

11 Jan 2020 / 08:00 H.
André Samuel

As previsões de crescimento da economia nacional para os próximos tempos são animadoras. Fala-se em aceleração económica na ordem dos 1,5% para este ano e de até 3% para o próximo ano, isto segundo o Banco Mundial. Já o Orçamento Geral do Estado, OGE, prevê um crescimento de 1,8% para o presente ano. Nesta altura do ano é muito frequente surgirem instituições a fazerem futurologia em relação ao crescimento económico, não só do País, mas a nível global. Apesar das boas noticias, com base em determinados indicadores, estas análises não passam de meras previsões e a pratica tem nos mostrado, com alguma constância, que em poucos meses essas metas são revistas em baixa. Contudo, entre a especulação de crescimento e a realidade de estagnação, a chave para o desenvolvimento está no sector empresarial, no aumento da produtividade em meio as circunstâncias adversas.

O ano de 2020 não será fácil, nem é para ser. Empreender exige a habilidade de gerir situações difíceis e enxergar na crise as oportunidades que esta proporciona. Talvez seja o momento de mudar o foco do negócio, principalmente se este esteve dependente da prestação de serviços ao Estado. Erra quem persiste em não observar os sinais da mudança dos tempos, afinal o sucesso das empresas hoje depende da capacidade dos gestores de fazerem este tipo de leitura. O Estado não deve ser o principal cliente das empresas, ou melhor, as empresas não devem depender do cliente Estado se pretendem crescer e influenciar o desenvolvimento económico. Há uma panóplia de negócios que podem ser executados, tendo como consumidor final as famílias e outras empresas, basta observar quais são e onde estão as suas reais necessidades. A política é consequência da economia e não o inverso. As metas de crescimento só serão alcançadas quando a mentalidade dos gestores estiver centrada no desenvolvimento sustentado das empresas e isso significa deixarem de estar atreladas ao Governo e começarem a satisfazer as reais necessidade do mercado.