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Onde queremos chegar?

29 Ago 2022 / 11:02 H.
Agostinho Rodrigues

O Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), aprovado pelo Decreto Presidencial n.º 169/18 de 20 de Julho, foi pensado pelo Executivo para acelerar a diversificação da produção nacional e geração de riqueza. Um dos intentos do PRODESI é, claramente, corrigir os vários constrangimentos que impossibilitaram o sucesso das iniciativas anteriores do Governo, em particular na definição clara das etapas. Mas o que é facto é que a aceleração do processo de diversificação da economia tarda em chegar, os proveitos não são ainda notáveis, apesar deste ambicioso programa do Executivo.

Há ainda um logo caminho pela frente. As prioridades e metas devem ser devidamente maturadas. Aliás, não é por acaso que Elisabeth Santos, administradora do grupo Pérola do Kikuxi, em declarações ao programa “Azimute Actualidade”, da Rádio Nacional de Angola (RNA) defende a definição de prioridades de investimentos ao nível das fileiras de produção. “Eu enquanto produtora tenho algumas dificuldades de compreensão, vários programas foram laçados há 10 ou 20 anos , mas os resultados continuam a não ser satisfatórios”, pois os índices económicos e sociais continuam a não atingir os “objectivos do programa aprovado pelo nosso Executivo”.

Por isso, define como estratégia a execução de um plano sério e, igualmente, com grupos sérios, na medida em que é preciso determinar “onde estamos” e “onde é que queremos chegar”. “Mas o que é verdade, o País continua com um índice de importação muito elevado e o nível de produção nunca atende as espectativas”.

Incrédula com o que chamou “não existe em nenhuma parte do mundo” em que as principais 10 grandes empresas do País são estrangeiras, Elisabeth alerta para a necessidade de um mecanismo sério de apoio aos empresários nacionais no domínio da produção interna. “Isto não é discriminar, é proteger a economia e os interesses nacionais”. “Nós não podemos continuar a investir com medo”. De facto. Neste quesito a administradora da Pérola do Kikuxi parece estar coberta de razão, pois é preciso definir planos sérios e exequíveis, por exemplo, quanto tempo o País precisaria para produzir cereais de que necessita, de quanto tempo necessitaria para o renascimento, de facto, da indústria nacional prioritária, etc. É preciso não perder o foco, pois os recursos económicos são escassos.

No seu alerta, Elisabeth Santos defende que o dinheiro destinado à importação deve servir os empresários nacionais, para que internamente se possa ter grandes produtores de cereais nos próximos anos ou produtores de coxas de frango, por exemplo. Para isto, os investimentos são avultados (acima dos 400 milhões USD), mas que o resultado final poderá vir a ser benéfico para o País.