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O petróleo e a realidade angolana

Luanda /
12 Out 2022 / 15:38 H.
Estêvão Martins

Apesar da forte oposição dos Estados Unidos da América - por razões óbvias que tem que ver com a guerra travada pela Rússia na Ucrânia - a OPEP+ fez o maior corte na produção de petróleo desde Abril de 2020, ano que eclodiu a pandemia da COVID 19.

O cartel, incluindo a Rússia, justifica a redução de 2 milhões de barris de petróleo/dia (bpd), a partir de Novembro próximo, no sentido de estimular uma recuperação no preço do crude que caiu de 120 USD para cerca de 90 USD em três meses, por temores de uma recessão económica global, aumento das taxas de juros dos EUA, além da fortificação do dólar. Ou seja, o objectivo da redução é fundamentalmente evitar a volatilidade dos preços, facto que os Estados Unidos rejeitam categoricamente, porque julgam que o facto pode beneficiar a Rússia.

Parte da razão pela qual Washington quer preços mais baixos do petróleo é privar Moscovo de receitas do petróleo, num esforço retaliatório visando conter e enfraquecer a Rússia economicamente, tendo em vista a sua derrota no campo de batalha.

E o que Angola ganha com esse corte? Naturalmente que com a estabilização e/ou aumento dos preços acima dos 100 USD, o País terá acesso a mais divisas, numa altura em que a produção de petróleo anda muito abaixo das expectativas, rondando os 1,175 milhões de bpd, apesar dos investimentos que têm sido feito na descoberta de novos campos marginais e não só.

Neste capítulo, as perspectivas até são animadoras na medida em que a ‘Consultora Oxford Economic África’ prevê que a produção de petróleo no País suba 4,4% para 1,18 milhões de bpd, depois de ter crescido 3,8% de Janeiro a Agosto face ao período homólogo.

Para já, a recente deliberação da OPEP+ não vincula Angola, que se vai manter intacta face aos baixos índices de produção. Ou seja, o País tinha de produzir 1,525 milhões bpd para que beneficiasse de um corte de 5% para 1,450 bpd. Assim sendo, estando longe de alcançar essa meta, resta apenas aguardar pelo aumento dos preços e obter dividendos económicos.