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O mindset dos investidores

11 Jun 2020 / 17:41 H.
André Samuel

O desafio de criar produtos para financiar startups transcende a realidade da economia nacional. É um repto que economias maduras ainda não venceram na totalidade. O risco inerente ao processo suscita aversão na grande maioria dos investidores, pois apenas 10% das startups sobrevivem e geram retorno.

Para que a banca tradicional ou os fundos de investimentos possam investir nas empresas inovadoras, é claramente necessário que o perfil do investidor nacional mude e opte por apostar em produtos de longo prazo.

Para o efeito, a literacia financeira e os mecanismos de protecção dos investidores devem fazer parte das políticas eleitas para dinamizar a economia rumo à 4.ª Revolução Industrial, assim como determinados países africanos definiram políticas para a Economia 4.0 assente no investimento, formação, regulamentação e ética.

O recurso a tecnologia, para além de gerar eficiência e atractividade das empresas alvo de financiamento, deve também possibilitar a maior aproximação entre as instituições financeiras e os seus clientes.

Essa aproximação deve permitir uma comunicação fluida para que, à medida que o mindset do investidor for mudando, as instituições acompanhem essa evolução, definindo produtos que vão ao encontro da apetência do mercado em cada momento.

O mercado de capitais desempenha um papel importante neste processo. Em particular, a Bodiva, enquanto gestora do mercado, tem a obrigação de criar as condições tecnológicas para que ocorra a negociação de instrumentos financeiros de forma transparente e frequente. Mas a atractividade dos instrumentos que vão ser negociados na bolsa, a sua maior ou menor publicidade, serão determinadas pelos elementos atribuídos pelos emitentes aquando da estruturação do prospecto.

Felizmente há garantias que a Bodiva tem as condições operacionais criadas para que qualquer emissão de instrumentos financeiros possa ocorrer. Todo o programa que está a ser desenvolvido no âmbito das privatizações tem na equação a variável de garantir a atractividade para as negociações.

A Bodiva procura forma de se promover junto dos agentes do mercado, investidores e emitentes, para, no final de contas, gerar valores e dar bem-estar a todos agentes, isto é, aqueles que têm poupanças e querem ou precisam de rentabilizá-las e aos que carecem de financiamento para avançar com projectos.