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O IDH, Esperança de vida, Escolaridade e diversificação

Luanda /
22 Set 2022 / 09:55 H.
Henrique Kaniaki

Estes são os grandes desafios do Governo! Recentemente, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 2021. De acordo com o PNUD Angola encontra-se na posição 148, numa lista de 191 países. O País atingiu a maior pontuação entre 2018 e 2019 com 0,595 pontos. Em 2020 caiu para 0,590 e em 2021 voltou a reduzir para 0,586 pontos, o que mantém Angola na categoria de “desenvolvimento médio”. O ranking é liderado pelos países escandinavos, ou Escandinávia. A Suíça tem a melhor pontuação com 0,962 pontos, seguida da Noruega com 0,961 pontos, seguido pela Islândia com 0,959 pontos. Juntos, foram o “top3” dos países com melhor índice. As piores posições não fugiram do continente africano, são ocupadas pelos países africanos Sudão do Sul com a pior classificação (0,385 pontos), Chad e Níger com 0,394 e 0,400, respectivamente.

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), é uma medida concebida pela ONU (Organização das Nações Unidas) para avaliar a qualidade de vida e o desenvolvimento económico de uma população. O IDH leva em consideração três importantes critérios que indicam o desenvolvimento social de um país, relacionados especificamente à qualidade de vida das pessoas: Saúde (Esperança média de vida à nascença); Educação (nível de conhecimento da população- esperança de escolaridade e a média de anos de escolaridade) e Rendimento (componente económica - PIB por habitante). Em suma, o IDH resulta da contribuição da economia no bem-estar das populações.

A esperança de vida à nascença em Angola é de 61,6 anos, onde as mulheres vivem mais do que os homens. Segundo o relatório do PNUD, a esperança média de vida das mulheres angolanas é de 64,3 anos de idade enquanto os homens vivem em média 59 anos. Relativamente à esperança de escolaridade 12,4 anos (estamos a falar do ensino médio concluído), mas a média de anos de escolaridade da população angolana são 5,4 anos (praticamente o ensino de base). O PIB por habitante ficou nos 5.466 USD em 2021.

Angola subscreveu acordos que recomendam metas concretas para os gastos com a educação e saúde. Em 2000, em Dakar, Senegal, acordou-se que os países deviam dedicar 20% das despesas públicas totais para a educação. Em 2001, a Declaração de Abuja, Nigéria, acordou-se que as despesas com a saúde deveriam representar 15% do orçamento. Ou seja, para se conformar com as recomendações internacionais, o Governo precisa mais do que duplicar o esforço com a Educação e a Saúde. Angola só terá um bom desenvolvimento humano, ou seja, boa qualidade de vida dos cidadãos, se tiver menos inflação, menos desemprego e mais crescimento da economia. Para isso, a aposta na saúde e na educação tem de ser um dos vértices deste Governo, sem pôr a parte a aceleração da diversificação económica que vai permitir aumentar a redução do desemprego e da inflação. No final do dia, os governantes sabem o que devem fazer, só precisam priorizar o óbvio.