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O grito dos diamantes

Luanda /
26 Set 2022 / 10:35 H.
Henrique Kaniaki

Parece que os diamantes acordaram e estão a gritar mais alto. Nos últimos meses tem se descoberto grandes pedras de diamantes em Angola. A mina do Lulo, localizada na província da Lunda Norte, surge com grande destaque. Recentemente, 21 de Setembro, a Endiama anunciou a descoberta de um diamante branco de 131 quilates na mina do Lulo, considerado o 29º de mais de 100 quilates extraídos naquela mina. Este é o segundo diamante de grande dimensão extraído na mina do Lulo, no mês de Setembro, depois da descoberta de um diamante de 160 quilates em 2 de Setembro.

O ponto mais alto foi em Julho deste ano, quando se descobriu o maior diamante dos últimos 300 anos. O diamante de 170 quilates encontrado na minha do Lulo, é um dos maiores diamantes cor-de-rosa alguma vez descoberto e junta-se aos dois maiores diamantes já descobertos em Angola, também nesta mina. Foi prevista a venda da pedra em leilões internacionais, devendo atingir um preço extremamente elevado. Em 2017, o diamante “Pink Star”, de 59,6 quilates foi leiloado em Hong Kong por 71,2 milhões USD e continua a ser, até agora, o diamante mais caro da história.

Apesar dos “gritos”, o brilho dos diamantes tem sido ofuscado pela forte presença do ouro negro (petróleo) na economia. Nos últimos oito meses, as receitas petrolíferas dispararam e já ultrapassaram as previstas no OGE para o final do ano, enquanto as diamantíferas estão em queda. Contas feitas, com base nos dados da Direcção de Tributação Especial da Administração Geral Tributária (AGT), as receitas fiscais provenientes da venda de diamantes fixaram-se nos 5, 57 mil milhões Kz em Agosto deste ano, uma redução de 26% em relação ao mesmo período de 2021, cujas receitas estavam avaliadas em 7,5 mil milhões Kz. As receitas fiscais, não só reduziram em termos homólogos, mas também em relação ao mês de Julho. Em Agosto, o País arrecadou menos 818 milhões Kz, quando comparado com os 6,38 mil milhões Kz contabilizados em Julho, o que representa uma queda de 13%. Angola tem perdido a posição também nos grandes produtores de diamantes. Os últimos dados da Comissão Nacional do Processo Kimberley sobre a produção de 2020, apontam que Angola caiu da 6ª para 7ª posição no ranking dos principais países produtores de diamantes brutos no mundo.

O ranking dos maiores produtores é liderado pela Rússia seguido do Botswana, Canadá, República Democrática do Congo, Austrália, África do Sul e na sétima posição encontra-se Angola que perdeu o 6º lugar para os sul-africanos. No primeiro trimestre de 2022, segundo cálculos do INE, o sector dos diamantes foi o que registou a maior queda, com uma contracção de 28,3%, que contribuiu negativamente em 0,60 pontos percentuais na variação total do PIB.

O solo angolano é fértil e rico, o Executivo deve acelerar a diversificação da economia, e nela, estão incluídos os diamantes que muito valem e pouco contribuem não só para o PIB, mas também para as zonas onde são exploradas.