Mercado de valores
Tempo - Tutiempo.net

O Day After

Luanda /
07 Set 2021 / 11:19 H.
André Samuel

Antecipar os acontecimentos e arriscar é um dos factores que separa os empresários bem sucedidos dos demais. A capacidade de olhar mais adiante e pensar no day after não é algo que os manuais fornecem, evidentemente a orientação é dada, mas a habilidade (se não for inata) deve ser desenvolvida na prática.

O País atravessa um momento recheado de sinais sobre o futuro, o Governo faz a sua parte, bem ou pouco mais ou menos, mas faz o possível para reverter a actual conjuntura económica adversa. E os empresários? Pergunto-me. Está a leitura a ser feita com olhos de ver, ou estamos atónitos a aplaudir os discursos do “hoje” e a esperar o tão desejado amanhã para agir.

O amanhã pode ser traiçoeiro, se os investidores internacionais aceitarem em massa os inúmeros convite feitos, associados as recentes previsões de crescimento da economia nacional, desembarcarem no País com o capital e o know-how, sem uma lei que force parcerias e dispostos a competir por uma posição dominante no mercado. A hora de cooperar para competir já começou, a corrida não é justa e o tiro de largada foi dado. O ambiente de negócio não espera pelo amadurecimento da classe empresarial nacional. Os destemidos começaram já a seleccionar as parcerias estratégicas e a consultar a título individual, potenciais parceiros internacionais, pois pretendem estar aliados aos mais fortes para não constarem das estatísticas de empresas extintas ou falidas nos próximos tempos.

O modelo de negócio sofrerá de igual modo inúmeras transformações, importar para comercializar será actividade para principiantes. A necessidade de aumentar as importações de bens de capital e de consumo intermédio, como recomendam as instituições internacionais que cooperam com o País, ditam a qualidade do investimento a ser feito. Produzir para transformar deixa de ser um slogan exclusivo da Sonangol e deve ser adoptado por todos, principalmente pela classe empresarial privada.

O peso do Estado na economia, muitas vezes contestado, deve ser aliviado pela classe privada, para o efeito, as iniciativas não devem ser as mesmas praticadas antes da crise, caso for, qual será a lição herdada? A intervenção privada deve estar fortemente enraizada no sector produtivo e na transformação.

Os apoios públicos e os incentivos para este sector para empresários nacionais com parceiros internacionais devem ser diferenciados. Aprendamos com as experiências do passado, ousar abrir as fronteiras, atrair investidor estrangeiro em ambiente de parceria saudável não deve ser encarado como uma estratégia protelável, urge agir hoje visando o amanhã.