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O bom dos mercados

China /
02 Dez 2019 / 09:08 H.
Ricardo David Lopes

O ano foi de bons rendimentos para muitos dos que apostaram dinheiro nas bolsas, com ganhos que, nalguns casos, se aproximaram dos 50%, e que frequentemente se situaram acima dos 20 ou 30%. O Nasdaq, em Wall Street, foi o índice que mais subiu, mas o tecnológico na liderança mundial, em termos de valorização desde o início do ano, está na China. Apesar dos apesares, como é costume dizerse, as bolsas estão prestes a fechar um dos melhores anos desde há vários, demonstrando a vitalidade e a densidade dos mercados de capitais um pouco por todo o mundo. Em África, 2019 não foi, em regra e de novo, um bom ano, mas o desempenho de muitas praças melhorou face aos dois últimos. O desempenho das bolsas em 2019 e a antevisão das tendências de 2020 estão em destaque nesta edição do Mercado. Angola não tem ainda um mercado de capitais maduro, nem inaugurou a bolsa de acções, mas está num processo cujo desfecho aponta nesse sentido.

Até 2022, o Programa de Privatizações do Executivo (ProPriv) prevê a venda de 195 empresas ou participações do Estado em empresas, sendo que nove vão ser alienadas por oferta pública inicial (IPO, no acrónimo inglês) e 11 por leilão em bolsa de blocos de acções. O início do IPO da ENSA está previsto para este ano, sendo que, em 2020, o Estado conta lançar os processos de dispersão em bolsa do BCI e TV Cabo Angola. Um programa é um programa e as metas não são estanques, mas o próximo ano será muito importante no sentido de serem dados os sinais certos aos investidores, em particular estrangeiros, que importa trazer ao mercado de capitais nacional. A divulgação de informação sobre as empresas públicas, a que o IGAPE já deu início, é um processo que tem que ser aprofundado e tornado rotina. Também os modelos de governance são relevantes quando se trata de atrair interessados, e este é um ponto onde há um vasto trabalho a fazer ainda. Não vamos vender gato por lebre, mas também não devemos vender ao desbarato. Devemos, por isso, antes de tudo, procurar valorizar os activos que se pretende alienar