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Mercado de capitais: capitalizando a economia 4.0

Tivemos hoje num mundo em permanente mudança. Os bens, o capital e a mão-de-obra movem-se a um ritmo mais rápido do que nunca e com padrões de comportamento distintos dos que conhecemos até aqui.

03 Dez 2019 / 08:00 H.
Luís Pedro Mendes

A inovação tecnológica, incluindo a digitalização da economia, tem introduzido uma transformação profunda em todos os sectores de actividade e na forma como os consumidores, as empresas e os governos interagem entre si.

A transformação tecnológica é uma realidade em todas as indústrias e geografias e representauma enorme oportunidade para que as empresas alavanquem a conectividade dos aparelhos móveis, capturem grandes quantidades de dados (big data), entrem em novos mercados, diversifiquem a oferta e introduzam novos modelos de negócios e de distribuição.

A grande maioria das empresas já se encontra atenta ao potencial que poderá resultar do processo de digitalização do seu modelo de negócio, onde a transformação é tida como um factor diferenciador de aumento da criatividade, das receitas, da eficiência e da rentabilidade.

A transformação digital é, no entanto, um processo exigente que exige o abandono de modelos

operacionais tradicionais de forma a alavancar novas ferramentas e tecnologias, ecossistemas e tecnologias para fornecer novos produtos e serviços, e apresenta uma série de desafios significativos, no que se refere às expectativas dos consumidores , transformação cultural , ciber-segurança, regulamentação e competências dos colaboradores.

Apesar das perspectivas interessantes de rendibilidade e de redução de custos ao nível operacional, os investimentos na transformação digital são considerados avultados e exigem o recurso à captação de recursos externos, nomeadamente através do mercado de capitais. As empresas que apresentem um plano de digitalização robusto estarão naturalmente em melhores condições para captar os recursos financeiros disponíveis no mercado.

O Programa de Privatizações (PROPRIV) para o período de 2019-2022 que prevê a alienação de 195 empresas por via de oferta pública inicial, leilão em bolsa, ou por concurso (concurso público ou concurso limitado por prévia qualificação) representa mais um marco na dinamização do mercado de capitais em Angola após o arranque, em Dezembro de 2014, com a criação da Bodiva e da abertura da Bolsa de Valores em Novembro de 2016.

O PROPRIV constituí uma excelente oportunidade para que o tecido empresarial angolano tire partido dos benefícios que um mercado de capitais, com liquidez, introduz na modernização e revitalização da economia, sendo fundamental não desperdiçar tempo na implementação de um processo de transformação digital que se revela premente e inevitável.

O sucesso do programa de privatizações será determinante na confiança que os investidores, particulares ou institucionais depositarão no mercado de capitais em Angola, pelo que se torna decisivo uma adequada preparação por parte das empresas a privatizar, nas quais as equipas de gestão serão submetidas a desafios complexos e cronogramas exigentes.