Mercado de valores
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Market making

Luanda /
10 Mar 2020 / 10:17 H.
Aylton Melo

Parece haver unanimidade em que a Bolsa de Dívida e Valores de Angola (Bodiva) tem que agilizar o mercado de REPO´S para permitir o desenvolvimento de um modelo com alguma sustentação de market making, e conferir maior dinamização ao mercado monetário interbancário. Uma ronda junto dos operadores feita pela própria BODIVA, e publicada na nova revista anual da entidade – A Bolsa: O Raio-X do Mercado, lançada ontem em Luanda, revela que há expectativas elevadas em relação à (tão esperada) figura do market maker (agentes de liquidez, ou seja, uma pessoa jurídica, que se compromete a manter ofertas de compra e venda de forma regular e contínua), ao mercado de REPO’s e à abertura parcial da conta de capitais, que vem facilitar o investimento por não residentes.

Mas há também alertas para outros desafios que aí vêm. É preciso lembrar que o mercado de capitais é um subconjunto do sistema financeiro num todo. A estabilidade da nossa moeda face as moedas de referência internacional é fundamental, para a atracção de investidores, por exemplo em Títulos da Dívida Pública doméstica. Portanto, não só é preciso acelerar a abertura do mercado de acções, como fortalecer os outros produtos, que já estão a ser transaccionados em bolsa. Afinal, serão postos em bolsa um conjunto de empresas com activos importantes e relevantes no âmbito do PROPRIV, o que é um desafio, mas também uma oportunidade para o aperfeiçoamento da Bolsa de Valores.

As boas práticas de governação corporativa, constitui hoje um instrumento de avaliação para a atracção de investidores para aquelas empresas que pretendem diversificar a forma de financiar os seus projectos ou as suas empresas, pois dispersar parte das acções em bolsa, pressupõe transparência. A emissão de dívida através da emissão de obrigações é um outro desafio que deve ser destacado, por ser uma outra forma das empresas emitentes se poderem financiar fora dos canais convencionais da banca. Aqui as empresas são “obrigadas” a ter toda sua informação aberta, de formas a que os investidores possam avaliar os investimentos que estão a realizar por via destas empresas, sendo que aqui a bolsa terá também um papel fundamental.

Do ponto de vista do consultor de banca e finanças, António Santana, grande entrevista nesta edição, o mercado de dívida ainda é insipiente e os fundos que existem não são significativamente representativos para criar atractividade.

Mas é preciso ir fazendo caminho, aliada a pouca e fraca comunicação, ainda se deve elevar o nível de literacia financeira, embora o conhecimento especializado ao nível dos diversos players, seja já elevado. Portanto, é preciso haver mais preparação para que o mercado de dívida corporativa possa desenvolver-se mais, mas com outro ritmo, passado o período de experimental, talvez seja já altura de se criarem condições para a privatização da BODIVA.