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Inversão de marcha: Petróleo e Kwanza em queda

28 Nov 2022 / 10:06 H.
Henrique Kaniaki

Nas últimas semanas, a negociação do petróleo nos mercados internacionais está a ser marcada por volatilidade. O crude segue na terceira semana de queda, depois de registar perdas nas primeiras duas semanas de Novembro. Já o Kwanza tem estado em “queda livre” desde Outubro.

Os preços do petróleo voltaram a cair, o Brent, “benchmark” que serve de referência as exportações angolanas, recuou até ser negociado a um preço mínimo de 82 USD ao meio da semana, o cenário não foi diferente para o West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos. Esta é a primeira vez em que o preço do petróleo é negociado abaixo dos 85 USD desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em Fevereiro, o petróleo chegou a custar quase 140 USD o barril.

A explosão do preço de petróleo gerou externalidade positiva para economia angolana, uma vez que somos um país “petrodependente”. Graças ao petróleo, o PIB de Angola ultrapassa os 100 mil milhões USD e o País volta a ser a 3ª maior economia da África subsariana, segundo cálculos do Mercado com base nas perspectivas do FMI. De Janeiro a Outubro deste ano, as receitas fiscais do petróleo fixaram-se nos 7,6 biliões Kz (cerca de 16 mil milhões USD), o que uma gera uma almofada face aos 6,12 biliões kz previstos no OGE deste ano. Apesar do aumento das receitas, a produção petrolífera tem estado a cair.

A consultora norte-americana Fitch Solutions aponta que a produção de petróleo no País vai cair 20% até 2023 devido à “falta de investimento crónico”. As incertezas mundiais colocam o preço do petróleo numa trajectória decrescente, ouseja, ajustado.

Quanto ao kwanza, até Setembro deste ano, a taxa de câmbio registou uma apreciação de 28,31%, e posicionou-se como a moeda que mais apreciação registou face à nota verde (o dólar norte-americano). Desde Outubro do corrente ano que a moeda nacional tem estado a cair. No décimo mês do ano (Outubro), o kwanza depreciou 10,6% face ao dólar. Nesta sexta-feira, 1 dólar valia 516 Kz .

As previsões de médio prazo do FMI apontam que a taxa de câmbio do kwanza deverá manter a tendência de depreciação, justificada pelo ajustamento da política monetária interna, da moderação do preço do petróleo e manutenção da apreciação do dólar. Para o FMI, em média, até 2027, a taxa de câmbio poderá depreciar 4,35% e em termos acumulados em 21,75%, ao se fixar para o final do período da análise em USD/AOA 561,35.

Contudo, o ouro negro volta a soar os alarmes, avisando que não é amigo de ninguém (convido-o a ler os artigos que escrevi em Dezembro de 2021 com títulos: “Petróleo com suas volatilidades. Não é uma fonte fiel!” e “Petróleo acima dos 100 e dólar abaixo dos 500 Kz” na edição 33, em Março de 2022). Tudo vai depender do cenário económico que o mundo estiver a viver. A música é a mesma, temos que diversificar a economia!