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Inteligência Artificial: o Melhor Amigo ou Pior Inimigo do Homem?

Luanda /
13 Dez 2022 / 08:26 H.
João Dono

Na adolescência nunca fui grande apreciador dos filmes de ficção científica. Na minha mais pura inocência, dizia que gostava de coisas reais, do dia-a-dia, de sentimentos humanos e realidades possíveis, nada de ficções e ilusões. Pois, mal sabia eu que tudo o que um ser humano é capaz de imaginar é, também, capaz de realizar. Tudo começa nos pensamentos, no poder da criação e da co-criação. Aliás, um dos livros mais sugeridos pelos homens do sucesso é o Pense e Enriqueça de Napolean Hill.

O que parecia ficção era, afinal, mais uma das muitas realidades que existem neste misterioso e fascinante universo. Infelizmente (ou felizmente), por vezes a nossa realidade é tão limitada que ignoramos a existência de tantas outras. A minha continua a ser muito limitada, mas já dá para pensar um pouco além das sombras da alegoria da caverna de Platão e ter a consciência de que aquilo que parecia ficção (e por vezes ainda parece) é a mais real das realidades.

Pois é, toda esta introdução, é para falar de algo que me fascina – a Inteligência Artificial. Sentimos o efeito dela todos os dias. Basta usar o telefone, o computador, assistir Netflix, navegar nas redes sociais, pesquisar no google, traduzir um texto, enfim, os exemplos podem ser os mais banais possíveis ou bem mais complexos.

Quando introduzimos um texto para tradução no google não temos ninguém do outro lado a traduzir, em segundos cada texto. Temos um programa, um software, temos uma Inteligência Artificial mais rápida e mais eficiente que um ser humano. As máquinas passaram a ter capacidade de desenvolver tarefas que exigem inteligência humana, tendo ainda capacidade de aprender e resolver problemas a partir desta aprendizagem, passando a ser o melhor amigo do homem (pelo menos em algumas circunstâncias).

É interessante e preocupante saber que a Inteligência Artificial permitirá às máquinas tomar decisões livres através de processos de aprendizagem A automatização de instrumentos de produção ou de gestão permitirá a realização de operações equivalentes às decisões mais complexas da actividade humana, com maior rapidez e eficiência.

Hoje, com a proliferação de máquinas que conseguem igual ou ultrapassar a inteligência humana, parece que entramos na era do fim da superioridade da razão e da inteligência humana. O próprio homem tem preparado a sua substituição, criando um amigo que, em certas situações ou países, pode vir a ser um inimigo.

Mesmo que os progressos da Inteligência Artificial não produzem, ainda, Inteligência Geral Artificial, ou seja, software capaz de um desempenho de nível humano em qualquer tarefa intelectual, e capaz de relacionar entre si tarefas e conceitos de diversos campos e disciplinas, o desenvolvimento da Inteligência Artificial mudará o conceito de realidade da humanidade, da essência do homem e das relações humanas.

A Inteligência Artificial traz, assim, com ela dois mundos distintos, um de desafios e oportunidades e um outro de problemas. Muitas profissões deixarão de existir e outras surgirão. Não podemos olhar para o nosso futuro sem pensar neste forte concorrente, podemos tê-lo como amigo e aliado ou inimigo. A decisão depende de cada um de nós.

Com todas as vantagens possíveis, não podemos deixar de temer um mundo que será cada vez menos emocional, menos físico e mais mecanizado e digital. Neste contexto, as profissões mais próximas das oportunidades e dos problemas terão um lugar de destaque. Vamos precisar tanto de engenheiros e programadores como de especialistas em matérias relacionadas com a mente e as emoções do homem.

Um dos grandes desafios das máquinas será sempre a emoção, a alma e a consciência, podendo ser muito poucos os aspectos que distinguirão uma máquina e de um homem nos próximos séculos. No limite, até esta essência ímpar humana poderá vir a ser absorvida e desenvolvida pelas máquinas. Assustador, sem dúvida!

Podemos vir a ter robôs capazes de expressar sentimentos como alegria, tristeza, ira e desejo. A acontecer estaríamos a aproximar de um mundo de seres, convivendo no mesmo espaço, sem ser possível, logo à primeira, distinguir os traços. Com este desenvolvimento fascinante e assustador fica a pergunta para os próximos artigos: estamos a desenvolver um amigo ou inimigo? Seja qual for a opinião, precisamos de mais regulamentar estes novos mundos.