Mercado de valores
Tempo - Tutiempo.net

Inflação “estressa” gigantes e obriga aumento dos juros

Luanda /
27 Jun 2022 / 10:28 H.
Henrique Kaniaki

As duas entidades mais influentes na condução de política monetária mundial foram obrigadas a elevar as taxas de juros de referência. A culpa é da inflação, que tem provocado “stress” na maior economia do mundo e no continente mais desenvolvido do planeta.

O Banco Central dos Estados Unidos, conhecido como Federal Reserve (Fed), elevou, recentemente, a taxa básica (ou directora) de juros do país em 0,75 pontos percentuais (ou 75 pontos base), o maior aumento desde 1994. A decisão coloca a taxa de juros de referência no intervalo entre 1,5% e 1,75%, porém há possibilidade de terminar o ano entre 3,25% e 3,50%, o que seria o seu nível mais alto desde 2008. A medida é uma tentativa de combater a alta nos preços, numa altura em que os EUA regista a maior inflação em mais de 40 anos. No velho continente, o Banco Central Europeu (BCE) avançou com medidas de mitigação para evitar uma crise da dívida, com previsão de aumentar as taxas em 0,25 pontos percentuais a partir de Julho.

As taxas directoras (aquelas a que o BCE empresta aos bancos) estavam a zero e o aumento destas teve um impacto directo às taxas Euribor (aquelas a que os bancos da europa emprestam uns aos outros e que são usadas nos créditos à clientes, cá em Angola, temos a Luibor). Dentro da região, alguns países já reagiram, por exemplo, o Banco de Inglaterra aumentou a taxa de juro pela quinta vez consecutiva. A taxa de referência no Reino Unido subiu 0,25 pontos percentuais para 1,25%, tal como esperado pelo mercado. Mas alguns decisores de política monetária consideraram que seria necessária uma postura mais agressiva. O Banco Nacional Suíço também avançou com uma subida de 50 pontos base (a primeira desde 2007) . A Hungria também anunciou aumento das taxas.

Na Europa e nos EUA, os preços têm estado a subir acentuadamente, inicialmente devido a problemas na cadeia de suprimentos em razão da pandemia da COVID-19 e, posteriormente, pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia (dois gigantes na produção e comercialização de mais de um quarto do comércio global do trigo, para além de serem grandes exportadores de petróleo, carvão, gás natural, ouro e outros metais preciosos) que criou uma espécie de bloqueio no sistema logístico internacional.

Por aqui, parece que vai tudo bem, esta semana o INE anunciou que a inflação mensal fixou-se em 0,93% em Maio de 2022, o menor registo desde 2015. Recentemente, o governador do BNA, José Massano, afirmou que o principal objectivo da política monetária é garantir que a inflação desça para um dígito até 2024, depois de o CPM do BNA manter inalterada a taxa de juros de referência em 20%. Mas se olharmos para a balança de pagamentos e para a posição líquida de investimentos do País, nota-se claramente, que somos um país meramente importador. Sabendo que o nosso problema da inflação é estrutural, devido à fraca competitividade e exportação, com uma forte dependência do ouro negro, no final das contas, importaremos inflação. Temos de dar passos mais largos na corrida para diversificação do País!