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Gestão de risco não é Híper acuidade

Luanda /
05 Out 2021 / 09:14 H.
André Samuel

A gestão de risco é de extrema relevância para a sobrevivência e êxito das empresas face às fortes turbulências financeiras, principalmente as mais recentes agravadas pelo contexto pandémico.

Com a globalização e uniformização de processos, se tornou imperioso observar com acuidade os potenciais riscos directos e indirectos, ou seja, os riscos sistémicos.

Perante este quadro, a gestão de todo factor de ameaça se torna igualmente relevante para a concretização dos princípios da governação corporativa, pois incide sobre o modo de administração dos negócios da empresa, da previsão e tratamento dos seus riscos, bem como as oportunidades inerentes.

As ameaças são realidades inerentes aos negócios e por isso devem ser devidamente geridas, por meio de um sistema de identificação prévia e proactiva, pois só desta forma se alcançam melhores resultados alinhados com os interesses das partes envolvidas na vida da sociedade.

E aqui em concordância com o presidente do Conselho De Direcção Da ACGA - Associação De Corporate Governance De Angola, Leonildo Manuel, as sociedades anónimas, sobretudo os bancos e as sociedades que tenham ou pretendam emitir valores mobiliários, devem ter um sistema de gestão de risco capaz e com competência de diagnosticar, mapear, priorizar, monitorar e gerir os seus riscos, permanecendo sempre atenta às mudanças do ambiente interno e externo, de modo a não ser surpreendida por riscos desconhecidos ou não controlados.

O Livro Verde sobre “o quadro da União Europeia do governo das sociedades” orienta que todas as empresas, independentemente dos seus domínios de actividade específicos, devem desenvolver uma cultura de risco adequada e organizar-se para os gerir eficazmente .

Para o efeito, as políticas de gestão de riscos devem ser claramente definidas ao mais alto nível, isto é, decididas pelo Conselho de Administração para toda a organização.

Alguns aspectos podem ser diferentes devido à diversidade de enquadramentos jurídicos em vigor, por exemplo a estrutura dupla ou unitária do Conselho de Administração, mas, em cada caso, é indispensável definir claramente os papéis e as responsabilidades de todas as partes implicadas no processo de gestão dos riscos: o conselho, a gestão executiva e todos os efectivos operacionais implicados na gestão dos riscos, e as descrições das funções devem ser conhecidas, tanto a nível interno como externo.

Não se trata de híper acuidade, esta gestão é fundamental para que a instituição compreenda os riscos assumidos, dimensionando-os e adequando-os aos seus objectivos relacionados ao risco versus retorno de suas operações.