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Ética & o Futuro: A história escrevesse em cima dos ombros de gigantes

25 Fev 2020 / 14:32 H.
Benjamim M bakassy

Que futuro poderá existir sem pessoas capazes de o construir? Quem o disse foi Isaac Newton: “Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes.” Olhar o futuro é um exercício que pode ser como uma faca de dois gumes. Se por um lado pode ser um acto de quem tendo a esperança como mote tenta vislumbrar “para lá da curva”; por outro lado, pode ser um mergulho na desesperança, no medo, na angústia, na neurose. Muitas vezes, defender um futuro mais ético, acaba por fazer dos seus defensores, pessoas ingénuas. Como diria o GIGANTE professor Paulo Freire: “Seria uma atitude ingénua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceber as injustiças sociais de maneira crítica.” A ingenuidade deve ser usada na sua forma mais pura sem que, seja deixado ao acaso a possibilidade de ser a partir dela que alicerces fundamentais para a humanidade sejam enfraquecidos, corrompidos, ou mesmo eliminados.

Como disse Albert Einstein: “Conheço com lucidez e sem prevenção as fronteiras de comunicação e da harmonia entre mim e os outros homens. Com isso perdi algo da ingenuidade ou da inocência, mas ganhei minha independência. Já não mais firmo uma opinião, um hábito ou um julgamento sobre outra pessoa. Testei o homem. É inconsistente.” Mas mesmo que assim seja é importante que não se perca a vontade, a lucidez, o sonho, de pensar futuros nos quais os grandes desafios éticos poderão ser pensados com a ingenuidade de quem ainda sonha. “O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos”, disse Eleonor Roosevelt.

Já para Carl Jung, “os sonhos são as manifestações não falsificadas da actividade criativa inconsciente.” Algo que não deve ser esquecido é que para além de pensar o futuro é necessário construi-lo, com acções concretas, especificas, mensuráveis. (CADA UM FAZ A SUA PARTE, À MEDIDA DA SUA HISTÓRIA; NINGUÉM CONSTRÓI FUTURO NENHUM SOZINHO, que não seja solidão, ou isolamento.) Não deve haver ilusões sobre a capacidade que é chamada a existir para que os sonhos para o futuro sejam realizados ou sequer realizáveis. Todo e qualquer sonho para a humanidade dependerá muito mais de factores humanos do que tecnológicos (como parece estar em voga). Vivemos tempos nos quais o foco na tecnologia é ironicamente e talvez apenas aparentemente maior do que o foco nas pessoas. Que futuro poderá ser possível sem pessoas? Entenda-se por pessoas: pessoas éticas. O alicerce fundamental para a construção de qualquer futuro é e serão sempre as pessoas. Com que pessoas podemos contar para construir o futuro dos nossos sonhos? Qual é o perfil dessas pessoas? Quem poderão ser esses GIGANTES cujos ombros serão as escadas de todos os outros? É comum chamar-se a essas pessoas, estes GIGANTES, de exemplos: exemplos morais, exemplos intelectuais, exemplos desportivos, exemplos sociais, exemplos de vida. Temos GIGANTES? Aonde aonde estão os seus ombros para que, sobre eles, o futuro se construa? É necessário procurar exemplos cujos os horizontes, verdades, acções, e frutos do seu trabalho e vida, sejam coerentes com um futuro harmonioso no qual nenhuma neuropatia – fruto de erros do passado, ou incompetências presentes – possa coexistir com a sanidade de querer e ser feliz no futuro, a todos os níveis, quer seja profissional, social, familiar, económico, financeiro, ou ético.

Nas empresas, é vital que se esteja com os olhos no futuro. Líderes que não olham para onde estão a ir, raramente sobrevivem, ou quando sobrevivem, fazem-no de forma pouco satisfatória. Contudo, talvez sejam nas suas grandes falhas, talvez seja através dos seus maiores erros, que os líderes gigantes como Steve Jobs se reinventaram. Nas suas (Jobs) próprias palavras: “Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo – expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar – caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguirmos os nossos corações. Lembrar que morrerei é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que tenho algo a perder.” Entre os erros e a visão do futuro tem que coexistir a vontade de encontrar uma felicidade (mesmo quando tudo parece fazer dela, a felicidade, uma utopia). Para Oscar Wilde: “O progresso não é senão a realização das utopias.” Será que existe algo de erra em errar na busca de utopias? Voltaire dizia: “Os homens erram, os grandes homens confessam que erraram.” Em jeito de conclusão: “As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo”, dizia Epicuro. Quase concluindo, com as palavras de Sócrates: “Se alguém procura a saúde, pergunta-lhe primeiro se está disposto a evitar no futuro as causas da doença; em caso contrário, abstém-te de o ajudar.” Inevitavelmente, tendo que deixar que o futuro chegue, diria, se fossem minhas as palavras, as palavras do MAIS DO QUE GIGANTE MÁRIO QUINTANA: “Viver é acalentar sonhos e esperanças, fazendo da fé a nossa inspiração maior. É buscar nas pequenas coisas, um grande motivo para ser feliz!”